O Assunto é Cinema, programa veiculado todas as quintas-feiras, a partir das 22 horas, na Rádio 104,7 Educativa, produzido pelos jornalistas Clayton Sales e Daniel Rockenbach, analisa “F1 – O Filme”, em exibição nos cinemas. A trama acompanha a história de Sonny Hayes, um ex-piloto de Fórmula 1 que abandonou uma carreira promissora após um grave acidente. Um dia, seu amigo Ruben Cervantes, proprietário de uma escuderia emergente, o convida para integrar a equipe. Em busca do primeiro ponto na categoria mais importante do automobilismo, Sonny e o jovem piloto Joshua Pearce enfrentam conflitos, tensões e triunfos na luta pelos primeiros resultados e pela salvação financeira da equipe.
Escrito e dirigido por Joseph Kosinski, o longa parte de uma premissa bastante acertada. Em vez de focar nas disputas pelas primeiras posições, o recorte escolhido são justamente as últimas. É nas colocações mais distantes da pontuação que ocorrem os dramas mais pungentes, que movimentam o enredo. Trata-se de um bastidor trabalhado de forma consistente por um roteiro que, na maior parte do tempo, é eficiente e bem-sucedido.
O problema está na subtrama romântica e motivacional ao estilo Sessão da Tarde, que recorre a clichês bastante desgastados das histórias esportivas. É quase um Top Gun: Maverick sobre carros de Fórmula 1. O exagero nessa abordagem quebra o ritmo da narrativa e a torna, por vezes, enfadonha. Quando o filme retorna ao foco nas estratégias — muitas vezes obscuras — das disputas, a história volta a ganhar substância.
O filme revela suas virtudes ao apresentar táticas eticamente questionáveis usadas por algumas equipes. Um exemplo é provocar colisões propositais com o carro adversário para forçar a entrada do safety car. Isso zera as grandes diferenças de colocação, como se a corrida recomeçasse do início. Essa é a especialidade de Sonny, construído como um piloto ousado e inescrupuloso — como tantos que existiram (e ainda existem) na Fórmula 1.
Nesse sentido, mérito para a performance contida de Brad Pitt como Sonny. Ele não arrisca, como em muitos de seus papéis de “bad boy” charmoso, mas entrega uma atuação adequada. O elenco, de modo geral, atua dentro das limitações de um roteiro razoável e de uma direção que, em muitos momentos, soa acomodada. Na ânsia de entregar uma experiência eletrizante, Kosinski priorizou as cenas de corrida, relegando os elementos dramáticos que, se melhor explorados, poderiam transformar o filme em uma grande obra sobre decisões tomadas em segundos. Em vez disso, entrega à excelência técnica a responsabilidade de conduzir a narrativa.
Os movimentos são extraordinários, muito por conta do senso de realismo que nos coloca dentro do cockpit dos pilotos — ainda que algo semelhante já ocorra nas transmissões atuais. Mesmo assim, é uma experiência imersiva e de tirar o fôlego. Outro ponto alto é a participação de vários pilotos reais: Max Verstappen, Fernando Alonso, Lewis Hamilton (um dos produtores executivos do filme), entre outros, aparecem em diversos momentos das competições.
Isso comprova o acerto da decisão de realizar filmagens durante GPs reais. A trilha sonora original de Hans Zimmer traduz satisfatoriamente a essência dramática da Fórmula 1, com temas que evitam a grandiloquência excessiva e apostam em nuances mais sutis de tensão musical. Canções de rock e pop complementam a dinâmica das cenas.
“F1 – O Filme” é um bom filme, apesar do roteiro irregular e da direção conservadora. Uma história mais consistente poderia ter elevado o nível do entretenimento. Ainda assim, é uma produção que nos mergulha em detalhes fascinantes do universo da Fórmula 1 e nos faz sentir a energia das corridas — com direito, inclusive, a menções ao nosso eterno Ayrton Senna.
Assista o Trailer Oficial:
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