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Bordado em Folhas: A Delicadeza da Natureza em Fio

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Dia Mundial do Bordado celebra arte milenar que une tradição, cultura e empoderamento 

Comemorado em 30 de julho, o Dia Mundial do Bordado é uma data dedicada a valorizar uma das mais antigas formas de arte manual da humanidade, o bordado. Uma prática que atravessa gerações, culturas e fronteiras, unindo técnica, paciência, criatividade e emoção em cada ponto.

A iniciativa de criar a data nasceu em 2011, na Suécia, idealizada por um grupo de bordadeiras que decidiu se reunir ao ar livre para bordar em conjunto. O objetivo era simples, mas poderoso: promover o bordado como forma de expressão cultural, social e terapêutica, além de incentivar o convívio, o cuidado com o tempo e o resgate da manualidade. A proposta rapidamente ganhou força e se espalhou por diversos países, transformando o dia 30 de julho em uma grande celebração coletiva da arte de bordar.

Alan Vilar é artista visual e encontrou nas folhas secas um suporte inusitado e poético para expressar sua arte.

“Eu morei no sítio na infância, então eu sempre tive um contato muito próximo com a natureza, e durante a pandemia a gente não podia sair de casa o que fez com que eu aprimorasse mais ainda o meu talento, eu já desenhava e pintava, mas na pandemia comecei a bordar e tive a ideia de retratar ainda mais a fauna e a flora brasileira, declarou o artista.

Utilizando agulha e linha, ele transforma delicadas folhas de árvores em verdadeiras telas naturais, onde borda com precisão e sensibilidade diversos animais da fauna brasileira, como a onça-pintada, arara-azul, tamanduá-bandeira, lobo-guará, entre outros símbolos da nossa biodiversidade.

Hoje, o Dia Mundial do Bordado é marcado por encontros, oficinas, exposições e rodas de bordado em várias partes do mundo, inclusive no Brasil – país onde essa prática tem profunda ligação com a história e a identidade de diferentes regiões.

Bordado brasileiro: riqueza cultural em cada ponto

No Brasil, o bordado é parte viva do patrimônio cultural e assume diferentes estilos, de acordo com influências regionais e tradições familiares. Entre os mais conhecidos, estão:

  • Bordado de Caicó (RN) – reconhecido pela sua delicadeza e uso de desenhos geométricos e florais. É símbolo da cultura potiguar e tem sido valorizado inclusive em passarelas e coleções de moda.
  • Bordado Richelieu – muito presente no Nordeste, essa técnica se destaca pelos recortes no tecido com acabamento em bordado, formando desenhos vazados sofisticados.
  • Bordado sertanejo – comum em roupas de vaqueiros, peças decorativas e enxovais, carrega elementos do cotidiano rural, com forte influência das paisagens e da vida no campo.
  • Bordado livre – estilo mais contemporâneo e versátil, que permite liberdade criativa na composição de imagens e mensagens, sem regras rígidas.

Bordar é também um ato de resistência e cuidado

Mais do que uma simples atividade artesanal, o bordado carrega um papel simbólico importante na formação de vínculos afetivos, na preservação da memória cultural e no fortalecimento da identidade coletiva. Durante séculos, o bordado foi passado de mães para filhas, de avós para netas, como herança de saberes e sentimentos.

Nos tempos atuais, essa prática tem ganhado novos significados. Em comunidades rurais e periferias urbanas, o bordado tem se mostrado uma ferramenta de empoderamento feminino, geração de renda e autonomia. Diversos grupos organizados de bordadeiras vêm se formando em todo o país, não apenas como forma de sustento, mas como espaço de acolhimento, troca de experiências e resistência cultural.

Além disso, cresce a percepção sobre os benefícios terapêuticos do bordado. Bordar desacelera o ritmo da mente, melhora a concentração e auxilia no combate à ansiedade e ao estresse, sendo, inclusive, indicado como forma complementar de cuidado com a saúde mental.

Bordar desacelera o ritmo da mente, melhora a concentração e auxilia no combate à ansiedade e ao estresse – sendo, inclusive, indicado como forma complementar de cuidado com a saúde mental.

Tradição que se renova

Apesar de suas raízes antigas, o bordado continua se reinventando. Ele agora também ocupa espaços urbanos, aparece em murais, roupas de grife, quadros contemporâneos e até mesmo nas redes sociais, onde artistas e coletivos compartilham suas criações, técnicas e reflexões.

Neste 30 de julho, o convite é para olhar com mais carinho para essa arte que, ponto por ponto, tece histórias, preserva culturas e constrói novos caminhos – sempre com beleza, paciência e significado.

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