Agro Educativa

Capim-marandu: a pastagem que revolucionou a pecuária é tema da estreia da série especial sobre os 50 anos da Embrapa Gado de Corte

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A TV Educativa de Mato Grosso do Sul deu início à exibição da série de reportagens especiais que celebram os 50 anos da Embrapa Gado de Corte. A produção é do programa Agroeducativa e conta com a apresentação do jornalista Osmar Bastos, que conduz o resgate histórico da empresa pública que mudou os rumos da produção agropecuária no Brasil.

Spoiler:

Na primeira reportagem especial, o destaque foi para um marco da pesquisa nacional: o desenvolvimento da braquiária brisanta, popularmente conhecida como capim-marandu. A reportagem traz depoimentos inéditos de pesquisadores que participaram diretamente da implantação dessa cultivar no Brasil — um divisor de águas para a pecuária de corte, especialmente no Centro-Oeste.

Da escassez à liderança mundial
Antes da criação da Embrapa, na década de 1970, o Brasil era altamente dependente de importações para abastecer sua população. A produção rural era limitada por baixa tecnologia, produtividade instável e uso ineficiente das terras. Com a criação da Embrapa e o investimento em ciência aplicada ao campo, essa realidade começou a se transformar. Hoje, o país é referência global em produção de alimentos, especialmente na pecuária.

O programa lembra que, nas décadas de 1970 e 1980, a braquiária decumbens, usada em larga escala, enfrentou um sério problema de infestação por cigarrinhas, o que levou técnicos e pesquisadores a buscarem alternativas mais resistentes. Foi assim que surgiu o capim-marandu, uma variedade de braquiária brisanta trazida do Zimbábue e adaptada às condições brasileiras.

A “Santa Praga” que virou solução
Em entrevista ao Agroeducativa, a pesquisadora Cacilda do Valle, da Embrapa Gado de Corte, contou como participou do processo de seleção e validação da marandu para os pastos do Cerrado. Segundo ela, ao contrário de outros capins como jaraguá e colonião, que chegaram ao Brasil de forma aleatória ainda na época colonial, a braquiária foi introduzida de forma intencional, com base em critérios técnicos.

“A introdução da marandu foi uma resposta direta ao colapso da decumbens. A cigarrinha estava dizimando as pastagens, e era preciso uma solução rápida, eficiente e adaptada. Fomos atrás disso, junto com outros centros de pesquisa e até produtores de sementes”, explicou a pesquisadora.

A cultivar começou a ser testada em meados de 1977, com participação conjunta da Embrapa Gado de Corte, Embrapa Cerrados, além de centros internacionais de pesquisa e produtores privados. Após anos de testes em profundidade de plantio, densidade de semeadura e manejo de pastejo, a marandu foi oficialmente validada e amplamente distribuída. Hoje, ela cobre mais de 50 milhões de hectares no país.

Solo, clima e estratégia: o que define a lotação ideal?
A equipe do Agroeducativa também visitou o piquete original onde foram feitos os primeiros testes com a marandu, que ainda está preservado na unidade da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS). No local, o pesquisador Rodrigo Amorim falou sobre o manejo da lotação — ou seja, a quantidade de animais por hectare — em pastagens de marandu.

Segundo ele, a lotação ideal depende diretamente da fertilidade do solo, da estratégia de produção da fazenda e do regime de chuvas. “Se o solo for de baixa fertilidade, naturalmente a produtividade da pastagem será menor. Em solos férteis, a resposta é muito mais significativa. E claro, tudo muda com a seca, então a suplementação estratégica é essencial nesse período”, afirmou.

Rodrigo também lembrou que a braquiária brisanta não é indicada para solos encharcados, o que pode limitar seu uso em determinadas regiões.

A voz da experiência
Encerrando a reportagem, o programa ouviu o pesquisador aposentado Saladino Gonçalves Nunes, responsável por batizar a cultivar com o nome Marandu, que em tupi-guarani significa “novidade”. Aos 87 anos, Saladino relembrou com orgulho sua trajetória ao lado do capim que hoje sustenta parte significativa da pecuária nacional.

“Esse capim passou por várias etapas, foi muito estudado, avaliado e hoje é uma das maiores conquistas da nossa pesquisa. Está presente em todo o Brasil tropical e se mostrou eficiente tanto para a criação quanto para a engorda de bovinos”, afirmou.

A reportagem ainda trouxe uma curiosidade linguística: as braquiárias recebem nomes indígenas, enquanto os capins do gênero panicum — como o mombaça — são nomeados com base em regiões da África.

Série segue ao longo de agosto
A série sobre os 50 anos da Embrapa Gado de Corte segue com novos episódios ao longo do mês de agosto, sempre com reportagens especiais que destacam contribuições científicas, avanços em pecuária sustentável e o impacto da pesquisa agropecuária brasileira no cenário internacional.

Assista ao programa Agroeducativa:
Domingo, às 9h30, na TV Educativa MS – canal 4.1
Reprise na terça-feira, às 17h
Também disponível no YouTube da Educativa MS

Kelly Ventorim DRT-MT 067/95

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