Uma bebê de apenas um ano foi mordida por um morcego dentro de casa, no bairro Tiradentes, em Campo Grande. A criança recebeu atendimento médico imediato, foi vacinada conforme o protocolo de prevenção e passa bem, sem apresentar sintomas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, somente em 2025, 454 morcegos foram recolhidos com suspeita de raiva na capital sul-mato-grossense. Destes, nove testaram positivo para a doença. No ano anterior, foram 582 morcegos capturados, com seis confirmações de raiva.
A presença do vírus entre morcegos é considerada endêmica, ou seja, ocorre de forma constante, mas sem configurar surto. Campo Grande não registra casos de raiva humana desde 1968, e o último caso em cães foi registrado em 2011, após mais de 20 anos sem ocorrências.
Apesar disso, a recomendação das autoridades é clara: qualquer pessoa atacada por morcegos ou outros mamíferos deve procurar atendimento médico imediato em uma UPA ou CRS 24 horas para iniciar o protocolo de prevenção. As vacinas estão disponíveis nas unidades Santa Mônica, Moreninhas, Leblon e Coronel Antonino, além dos centros regionais de saúde Tiradentes, Nova Bahia e Coophavila 2. O CRS Nova Bahia é a referência para aplicação de soro, quando necessário.
O médico veterinário Osmar Bastos, editor-chefe da Agroeducativa, alerta que os morcegos hematófagos — que se alimentam de sangue — são os principais transmissores do vírus da raiva na zona rural. Contudo, o aumento na presença de morcegos nas áreas urbanas preocupa. “Se os abrigos na zona rural são eliminados, eles passam a buscar alimento nas cidades, onde encontram árvores e locais para se esconder”, explicou.
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Segundo Bastos, Campo Grande abriga diferentes espécies de morcegos: os frugívoros, que comem frutas; insetívoros, que se alimentam de insetos; e até piscívoros, que consomem peixes. Ainda que nem todos transmitam raiva, qualquer espécie pode ser vetor se estiver contaminada.
Um sinal de alerta é o comportamento atípico desses animais. “Morcegos são noturnos. Se estiverem voando durante o dia ou se forem encontrados no chão, provavelmente estão doentes”, destacou. Em situações assim, a recomendação é não tocar no animal e cobri-lo com um pano ou balde até que equipes de zoonoses possam recolhê-lo.
Caso uma pessoa seja mordida, a primeira atitude deve ser lavar imediatamente o local com água e sabão. “O vírus da raiva possui uma cápsula lipídica, que pode ser destruída com sabão comum. É um cuidado simples, mas essencial”, explicou Bastos.
Ele também alerta para o risco de animais domésticos encontrarem morcegos contaminados. “Mesmo que o vírus não resista ao suco gástrico, o animal pode se contaminar durante a mastigação, ao se ferir com ossos”, disse. Por isso, a vacinação de cães e gatos continua sendo uma das principais formas de prevenção.
A raiva é uma doença letal e, uma vez que os sintomas se manifestam, não há cura. O vírus é neurotrópico, ou seja, se aloja no sistema nervoso e migra para o cérebro, causando danos irreversíveis.
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