Belém do Pará se prepara para sediar, em novembro, a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). A novidade deste ano é a criação da AgriZone, espaço coordenado pela Embrapa, voltado exclusivamente para o agronegócio nacional. Entre os destaques confirmados, está a participação do Mato Grosso do Sul, que apresentará projetos de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
A poucos meses do início da COP30, cresce a expectativa sobre o papel do Brasil nas negociações climáticas globais. O evento, que ocorrerá entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém do Pará, terá como uma das principais inovações a AgriZone, um espaço exclusivo para o setor agropecuário brasileiro, coordenado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
O local foi concebido para apresentar soluções científicas e tecnológicas que mostram como o agro brasileiro pode contribuir para o enfrentamento da crise climática. A Embrapa acaba de divulgar a lista dos projetos selecionados para participar da AgriZone. Os proponentes têm até o dia 5 de setembro para confirmar presença.
Confira no Agora 104:
Presença sul-mato-grossense confirmada
Entre os projetos aprovados, destaca-se a proposta feita pelas três unidades da Embrapa localizadas no Mato Grosso do Sul – Embrapa Agropecuária Oeste, Embrapa Pantanal e Embrapa Gado de Corte, em parceria com o governo estadual. A proposta prevê um dia temático dedicado ao estado dentro da programação da AgriZone.
“O objetivo é mostrar o que Mato Grosso do Sul tem feito na agenda climática, com foco em restauração de áreas degradadas, preservação do Pantanal e programas de pagamento por serviços ambientais (PSA)”, explica o colunista Arthur Falcette , da coluna Ponto de Equilíbrio, que acompanha os preparativos.
Pantanal como ativo ambiental global
Um dos focos da apresentação será o Pacto pelo Pantanal, que busca conciliar preservação ambiental, desenvolvimento social e atividades produtivas. O estado quer destacar iniciativas como a nova Lei do Pantanal, construída de forma participativa com a sociedade civil, e os programas de PSA, que visam conservar até 3 milhões de hectares de áreas nativas ameaçadas por conversão.
Segundo Falsetti, o governo estadual também busca atrair investimentos internacionais para financiar esses programas. Em contrapartida, o estado garante que os recursos serão aplicados diretamente nas ações escolhidas pelos fundos estrangeiros, com transparência, governança e participação ativa das comunidades locais — incluindo ribeirinhos, indígenas e produtores rurais.
Além disso, o Pantanal se consolida como um símbolo de conservação ambiental. Em 2025, o bioma registrou a maior redução de queimadas dos últimos anos — uma queda de 99% em relação ao ano anterior — além de continuar sendo o bioma com maior redução do desmatamento no Brasil. Esse avanço é atribuído tanto a condições climáticas mais favoráveis quanto à maturidade das ações de prevenção e combate aos incêndios, como o PSA Brigadas, que apoia financeiramente 14 projetos de comunidades locais.
COP da implementação
Esta edição da COP tem sido chamada por especialistas e diplomatas de “COP da implementação”, reforçando a urgência em transformar planos e compromissos em ações concretas. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, tem reiterado que chegou o momento de colocar em prática o que foi debatido ao longo de décadas.
Nesse contexto, o Brasil e, em especial, estados como o Mato Grosso do Sul, terão a oportunidade de apresentar ao mundo soluções que unem produtividade, ciência, conservação ambiental e justiça social — uma equação essencial para o futuro do clima no planeta.
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