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Inteligência artificial revoluciona reprodução de bovinos e promete reduzir custos na pecuária

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Tecnologia desenvolvida em Mato Grosso do Sul pode prever, com 100% de acurácia, se uma fêmea bovina ficará gestante antes mesmo da inseminação

A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço em diversos setores da economia, e agora começa a transformar também a produção rural brasileira. Na pecuária, pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desenvolvem uma ferramenta que promete revolucionar o manejo reprodutivo do gado, aumentando a produtividade e reduzindo significativamente os custos para os pecuaristas.

Segundo o professor Gustavo Macedo, da UFMS, o projeto utiliza inteligência artificial para identificar, com base em uma amostra de sangue, se uma fêmea bovina será capaz de engravidar antes mesmo da inseminação artificial. O estudo, que já teve pedido de patente registrado, surgiu a partir do trabalho de doutorado do pesquisador William Vaniel e faz parte de uma linha de pesquisa que vem sendo desenvolvida há cerca de cinco anos.

Confira na reportagem:

“A ferramenta consegue detectar com 100% de acurácia se a fêmea vai emprenhar antes mesmo da aplicação do sêmen. Isso traz um ganho enorme para o produtor, que pode evitar gastos desnecessários com fármacos, hormônios, sêmen e até com manejo de pessoal”, explica o professor.

Além de prever a gestação, a tecnologia permite uma tomada de decisão mais estratégica, especialmente em períodos críticos como a seca prolongada. Ao identificar quais animais não gerarão retorno produtivo, o pecuarista pode reduzir a lotação da fazenda e otimizar os recursos.

O processo leva cerca de 60 segundos para analisar a amostra de soro sanguíneo, e os dados coletados alimentam um banco de informações que é interpretado por sistemas de inteligência artificial. A expectativa dos pesquisadores é que a ferramenta, ainda em fase inicial de desenvolvimento, seja integrada futuramente a aplicativos ou plataformas online para facilitar seu uso em campo.

Apesar de ainda não estar disponível para aplicação em larga escala, os primeiros resultados são promissores e apontam para uma nova era na pecuária de precisão.

“O segredo está em como processamos os dados. Estamos desenvolvendo protocolos de classificação que transformarão essa análise em uma ferramenta prática, acessível e altamente eficaz para o produtor rural”, conclui Macedo.

O Brasil possui um rebanho de mais de 230 milhões de bovinos, e Mato Grosso do Sul, com o quinto maior contingente do país, destaca-se pela qualidade genética dos seus animais. Com o avanço da inteligência artificial no setor, o estado pode se tornar referência nacional em tecnologia aplicada à pecuária.

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