Confiança empresarial, expansão do setor de serviços e desafios de sobrevivência marcam o cenário econômico de 2025 no estado
Pela primeira vez na história, Mato Grosso do Sul registrou, em um único mês, a abertura de mais de mil empresas. Segundo dados da Junta Comercial, foram 1.074 novos negócios formalizados em agosto, consolidando o mês como um marco na economia estadual. O setor de serviços liderou as aberturas, com 811 empresas, seguido do comércio (225) e indústria (38).
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Capital lidera, interior acompanha
Campo Grande respondeu por 437 novas firmas abertas. Em seguida vieram Dourados (137), Três Lagoas (48) e Naviraí (44), demonstrando que o crescimento não se restringe à capital e reflete uma movimentação econômica mais ampla no interior.
Segundo o economista e colunista Aldo Barrigossi, o resultado reflete a confiança do empreendedor sul-mato-grossense. “Em 2025, tivemos mais de mil aberturas em todos os meses até aqui, superando o desempenho de 2024, quando isso só ocorreu em alguns meses isolados”, afirmou.
Novas empresas e novos serviços
O avanço da industrialização no estado, puxado por setores como celulose e etanol de milho, está gerando impactos indiretos na economia. “A chegada dessas grandes empresas traz consigo uma demanda por serviços complementares”, explicou Barrigossi. Entre os novos negócios, estão clínicas odontológicas, serviços médicos e de transporte, evidenciando um ciclo positivo de geração de empregos qualificados e empreendedorismo profissional.
O desafio da longevidade empresarial
Apesar do cenário promissor, o especialista alerta para um problema recorrente: a sobrevivência das empresas no longo prazo. Segundo estudos do SEBRAE, gestão ineficiente, falta de financiamento, burocracia e carga tributária são os principais obstáculos enfrentados pelos pequenos negócios.
Barrigossi defende políticas públicas de apoio à micro e pequena empresa, como incentivos fiscais e acesso facilitado ao crédito. “Hoje temos políticas bem definidas para grandes corporações, mas é preciso olhar também para o empreendedor individual, aquele que abre empresa com o filho ou a esposa. Esse é o perfil predominante no país”, destacou.
Serviços dominam o cenário econômico
De acordo com os dados mais recentes, cerca de 80% das novas empresas abertas em MS são do setor de serviços, indicando uma economia em amadurecimento e maior percepção de oportunidades por parte dos empresários. Esse perfil se repete tanto na capital quanto nos principais municípios do interior.
Custo de vida segue elevado
Apesar dos bons indicadores de empreendedorismo, o custo de vida continua sendo um desafio. Em agosto, o preço da cesta básica caiu em 24 capitais brasileiras, incluindo Campo Grande. No entanto, a capital sul-mato-grossense apresentou a cesta mais cara do país: R$ 768,79, segundo levantamento do DIEESE.
Mesmo com a queda de 0,90% em agosto, o custo acumula alta de 7,58% em 12 meses. Produtos como tomate, batata, arroz e café puxaram os preços para baixo, enquanto leite, carne e açúcar apresentaram aumento.
Para o trabalhador que recebe o salário mínimo (R$ 1.518), foram necessárias 111 horas e 25 minutos de trabalho para adquirir a cesta básica, o que representa 54,75% da renda líquida comprometida apenas com alimentação.
Perspectivas para 2026
Com inflação e juros elevados, o consumo das famílias segue pressionado. No entanto, Barrigossi acredita em preços firmes e um crescimento moderado da economia nos próximos meses. “Estamos vivendo um mundo de CNPJ. O jovem prefere empreender a seguir pela via tradicional do CLT. O mercado está mudando, e precisamos estar preparados”, concluiu.
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