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Malha Oeste é destaque no Agora 104

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Infraestrutura ferroviária em Mato Grosso do Sul segue esquecida, enquanto o turismo ganha espaço com campanha internacional

Apesar de estar no coração do Brasil e possuir uma das ferrovias mais extensas do país, Mato Grosso do Sul vive há anos o abandono da Malha Oeste, que liga São Paulo à fronteira com a Bolívia. Com 1.973 km de extensão, a ferrovia enfrenta hoje um cenário de trens circulando com baixa velocidade e capacidade limitada de carga, reflexo de décadas sem investimentos adequados.

A situação da Malha Oeste é tema da coluna Ponto de Equilíbrio, apresentada nesta segunda-feira (8) no programa Agora 104. Em entrevista, o colunista Arthur Falcette destacou que o principal gargalo é a falta histórica de investimentos. “É um ciclo: perde competitividade, recebe menos investimento e se torna cada vez mais sucateada”, afirmou.

Confira no Agora 104:

Relicitação travada há cinco anos

Em 2020, a concessionária Rumo Malha Oeste protocolou na ANTT o pedido de devolução da concessão. Em fevereiro de 2021, o governo federal incluiu a ferrovia no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), abrindo caminho para a relicitação. No entanto, até agora, nenhuma solução concreta foi apresentada.

“A relicitação é um processo complexo, que exige estudos técnicos, ambientais e análise do TCU. Não é algo para o curto prazo”, explicou Falcette, destacando a importância de segurança jurídica para atrair novos investidores.

Enquanto isso, o setor produtivo local pressiona por uma solução. Grandes indústrias como Suzano, Eldorado e Aralco dependem da malha para escoar produtos como celulose e grãos. A Aralco, por exemplo, obteve aprovação para um short-line ligando sua planta em Inocência à Malha Oeste.

Nova Ferroeste: projeto complementar e promissor

Falcette também esclareceu a diferença entre a Malha Oeste e a Nova Ferroeste — projeto que conecta Maracaju (MS) ao Porto de Paranaguá (PR). Embora ambas incluam a palavra “Oeste” no nome, são empreendimentos distintos. A expectativa é de que, no futuro, haja interligação entre os dois traçados, ampliando o potencial logístico da região centro-sul do Brasil.

Turismo: Pantanal em destaque no cenário internacional

Enquanto o transporte ferroviário caminha lentamente, o turismo no Mato Grosso do Sul ganha impulso com a nova campanha da Embratur em parceria com a National Geographic, que promove o Pantanal como um “safári para os sentidos”.

O projeto percorreu rios, fazendas e áreas de preservação com o fotógrafo Felipe de Andrade, da National Geographic, para registrar imagens que estão sendo divulgadas globalmente. A ação conta com apoio dos governos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Sebrae, e será reforçada com a Galeria Visit Brasil, que ocorrerá entre 28 de outubro e 1º de novembro em Nova Iorque.

“O Pantanal é apresentado como um destino sensorial, integrando natureza, cultura e sustentabilidade”, explicou a repórter Zilda Vieira durante o programa. A ação visa atrair turistas das classes A e B, com maior poder de consumo, e gerar emprego, renda e valorização cultural para as comunidades locais.

Gestão consciente e oportunidades de desenvolvimento

Para Arthur Falcette, o desafio é transformar a visibilidade do Pantanal em benefícios concretos. “Temos que garantir que essa movimentação turística se traduza em renda local, uso de mão de obra regional e consumo de produtos locais”, afirmou.

Ele destaca também o interesse crescente de investidores estrangeiros, especialmente da África, interessados em replicar no Pantanal modelos de safáris sustentáveis, como os existentes em Botsuana.

Enquanto o turismo avança e ganha projeção global, o transporte ferroviário em Mato Grosso do Sul segue à espera de uma solução definitiva. A reativação da Malha Oeste poderia impulsionar não apenas a economia regional, mas também fortalecer a integração logística com outros modais e projetos estratégicos, como a rota bioceânica.

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