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“Assunto é Cinema” analisa o filme “Invocação do Mal 4 – O Último Ritual”

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O Assunto é Cinema, programa veiculado todas as quintas-feiras, a partir das 20 horas, na Rádio 104.7 Educativa MS, produzido pelos jornalistas Clayton Sales e Daniel Rockenbach, analisa o filme: “Invocação do Mal 4 – O Último Ritual”.

“Invocação do Mal 4 – O Último Ritual”, em cartaz nos cinemas. Ele traz de volta Ed e Lorraine Warren, famoso casal de investigadores paranormais que se vê diante do seu maior desafio. Eles são obrigados a retornar da pausa nas atividades para resolver o caso que ficou conhecido com o Poltergeist da família Smurl, ocorrido em 1986 na Pensilvânia (EUA)// Um poderoso demônio habitava a casa por anos e se manifestava por meio de um espelho antigo. Ed e Lorraine são obrigados a deixar o descanso de lado porque sua filho Judy acabou se envolvendo a caindo nas garras do demônio. Então, começa uma batalha que coloca em xeque o passado do casal de demonologistas.
Dirigido por Michael Chaves, o roteiro é baseado nos arquivos de Ed e Lorraine Warren e foi o último trabalho dos investigadores. Sem grandes novidades quanto às escolhas técnicas e narrativas em relação aos trabalhos anteriores da franquia, o filme assume sua intenção tributária. Em todos os aspectos, trata-se de uma espécie de homenagem assumida ao casal Warren, que rendeu tantas histórias e personagens ao universo Invocação do Mal.
Mesmo no início do longa, quando é mostrado o cotidiano feliz e comum da família Smurl, a ideia parece ser fortalecer a ideia de união familiar, semeando o que será o mote do longa: a família Warren. Isso se reforça ainda mais em outra cena inicial na qual a gravidez e parto da filha Judy se conecta ao caso derradeiro de Ed e Lorraine. O mesmo demônio que quase levou a menina ainda na gestação retorna para assolar os Smurl, mas na verdade, era um ardil para atrair a jovem Judy e terminar o serviço depois de anos.
Com um Ed na meia-idade e padecendo de problemas cardíacos, o casal tentava dar um tempo no trabalho de sua vida, mas o envolvimento de Judy o faz voltar à ativa. Essa conexão é simplória, beirando o clichê , e ainda assim, o roteiro consegue deixar lacunas abertas no enredo, especialmente quando as coisas vão ficando tensas. A opção por não investir em novidades tem como resultado uma obra de terror que peca pela falta de boas surpresas justamente em um gênero em que o susto se constrói a partir da criação de janelas para o inesperado.
Apesar dos bons recursos técnicos utilizados, o medo que uma produção de horror almeja não consegue nada mais do que impactos ocasionais, sustos dissipáveis de momento. O terror com demônios e exorcismos sempre carrega um componente ótimo de ser explorado que são os enraizados pavores religiosos em grande parte do público criado sob as hostes do cristianismo. O clássico “O Exorcista” (1973) é o exemplo cabal dessa relação. Porém, “Invocação do Mal 4 – O Último Ritual” comete o pecado de desprezar esse elemento e se concentra em homenagear os Warren, como numa despedida triunfal.
As atuações são satisfatórias, com Patrick Wilson e Vera Farmiga desempenhando o mais do mesmo dos filmes anteriores. Atuações que chegam ao prolixo, expondo o desgaste de seus papeis. O restante do elenco apenas orbita o núcleo familiar dos Warren. No final, o típico fechamento de franquia, com referência durante os créditos finais, dos destinos reais do casal Warren.
“Invocação do Mal 4 – O Último Ritual” é um filme razoável, com roteiro irregular e pouco inspirado, apesar da fartura da matéria-prima, e direção correta, mas sem ousadia. Funciona como celebração e despedida Ed Warren, que morreu em 2006, e Lorraine Warren, que faleceu em 2019. Afinal, mesmo sob espectro da descrença científica sobre seus estudos paranormais, o fascínio que desperta é objeto de interesse para a arte cinematográfica. Porém, embora deixa pequenas frestas para novas produções, com a sinistra boneca Annabelle ou a bizarra freira, perde sua potência como trabalho de terror.
Confira o teaser oficial: 
NOTA E CRÍTICA – Clayton Sales
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