Há momentos em nossas vidas em que perdemos as rédeas o controle sobre situações que não dependem apenas de nós.
Seja por luto, pela perda de alguém que amamos, por um término de relacionamento amoroso ou de amizade, pela perda do emprego, ou por tantas outras situações adversas que, inevitavelmente, todos enfrentamos em algum momento da vida.
Infelizmente, temos dificuldade em lidar com circunstâncias contrárias.
A mente humana é um campo fértil para armazenar dores, mas muitas vezes incapaz de distinguir, organizar e eliminar sentimentos negativos. Esses sentimentos se tornam como sementes que germinam silenciosamente, criam raízes profundas e, de forma sutil, dominam nossa mente, emoções, afetam a alma, o espírito e até o corpo.
E sabe o que é mais impressionante? Somos especialistas em autossabotagem.
Acreditamos que o outro é sempre melhor, mais bonito, mais inteligente. Com isso, vamos nos sentindo cada vez menores, insignificantes diante de um mundo cheio de possibilidades, como se não houvesse espaço para nós.
Por isso, é essencial construir uma autoimagem verdadeira.
Saber quem realmente somos, reconhecer que todos têm defeitos e qualidades, e que estamos neste mundo para evoluir.
Mas, afinal, qual é a mensagem que este texto quer transmitir?
Hoje em dia, fala-se muito sobre empatia virou um discurso comum.
Mas será que, de fato, a praticamos?
Pare e reflita: você exerce empatia no trabalho? Com seus vizinhos? Com seus familiares?
De janeiro até agora, 80 adolescentes e jovens morreram por suicídio em Mato Grosso do Sul, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a quarta principal causa de morte, atrás apenas de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal, conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Mato Grosso do Sul é o estado que apresentou o maior aumento percentual de vítimas de suicídio entre 2023 e 2024 no país.
De acordo com o Mapa da Segurança 2025, divulgado em junho pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o número de casos saltou de 171, em 2023, para 287, em 2024 , um crescimento de 67,84%.
Em números absolutos, foram 116 mortes a mais. E, mais uma vez, os homens foram a maioria.
Dos 287 registros em 2024, 212 eram do sexo masculino, o que representa 73% do total.
Esse padrão de predominância masculina tem se mantido ao longo dos anos, segundo o Ministério.
Neste exato momento, pelo menos uma pessoa está cometendo suicídio em Mato Grosso do Sul, e muitas outras estão planejando fazê-lo.
Olhar para o outro tem se tornado cada vez mais raro.
E olhar para si mesmo? Mais raro ainda.
Mas é urgente: precisamos voltar o olhar para nós.
Buscar o autoconhecimento. Entender que as pessoas são diferentes. Aceitar nossas qualidades, mas também nossos defeitos. Compreender que há dias em que simplesmente não estamos bem e que está tudo bem.
A felicidade utópica só existe na ficção.
A vida real é feita de altos e baixos, de lutas e glórias. E tudo isso faz parte do processo.
E se, em algum momento, você sentir que não está conseguindo lidar com as emoções, procure ajuda.
Nem sempre temos consciência de que não estamos bem, porque fomos ensinados a colocar tudo e todos à frente de nós mesmos: o trabalho, as contas, a família, os amigos, a igreja…
Raramente paramos para nos ouvir.
Mas é necessário. É urgente.
Olhar para si. Buscar informações sobre a depressão. Não deixar que as coisas saiam do controle.
A depressão é uma doença silenciosa, mas se estivermos atentos aos sinais, o diagnóstico pode ser feito precocemente: isolamento, falta de motivação, tristeza constante… Muitas vezes, ela se esconde atrás de um sorriso.
Pare e reflita.
Alimente sua mente com pensamentos positivos.
Cultive hábitos saudáveis — caminhar ao ar livre, conversar com amigos, contemplar o pôr do sol.
Valorize as coisas simples da vida.
Resiliência é saber se levantar após uma queda.
Perdeu o emprego? Busque outro.
Terminou um relacionamento? Viva o luto da separação, mas depois recomece.
Busque paz.
A vida é isso: aprender a administrar as alegrias, mas também as adversidades.
E quando sentir que não está dando conta, é hora de pedir ajuda.
Por Magna Melo
Deixe um comentário