No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro, nossa Coluna Saúde e Bem-Estar do programa Agora 104 da FM Educativa MS traz um tema delicado, mas urgente: a depressão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 5,7% da população adulta vive com depressão, sendo a incidência maior entre mulheres. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE (2019) apontam que 10,2% dos brasileiros adultos relataram diagnóstico médico de depressão — número que cresce a cada ano. Entre os idosos, a taxa é ainda maior: 10,17%.
Para entender como a depressão se manifesta em diferentes idades e quais caminhos de cuidado existem, conversamos com o médico geriatra Dr. Marcos Blini, que alerta: “Depressão não é frescura. É uma doença séria e, muitas vezes, silenciosa.”
Confira:
Sinais diferentes para cada idade
Segundo o Dr. Blini, os sinais da depressão variam conforme a fase da vida. Nos jovens, os sintomas mais comuns são melancolia, isolamento, choro frequente, distúrbios do sono e queda no rendimento escolar ou profissional. Já nos idosos, o principal sinal é a anedonia — a perda de prazer em atividades antes apreciadas.
“Às vezes, o idoso deixa de frequentar a igreja, parar de encontrar os netos ou fazer coisas que antes gostava muito. Isso é um sinal clássico de depressão nessa faixa etária. E nem sempre vem acompanhado de tristeza ou choro”, explica.
Sintomas físicos e o papel da família
Muitos pacientes apresentam também sintomas psicossomáticos, como dores crônicas, fadiga constante ou insônia, que podem levar a diagnósticos errados. “Muitas vezes, o paciente chega ao consultório se queixando de fraqueza, mas na verdade está enfrentando um transtorno depressivo”, observa o médico.
Dr. Blini também destaca o papel da família e amigos na identificação dos sintomas. “Em muitos casos, a pessoa não tem força nem mesmo para procurar ajuda. A rede de apoio é essencial nesse momento.”
Depressão e suicídio: existe prevenção?
A depressão é uma das principais causas associadas ao suicídio, embora não seja a única. Transtornos de personalidade e o transtorno bipolar também apresentam alto risco. Mas, devido à sua alta prevalência, a depressão acaba sendo a maior causa de suicídio no mundo.
“Precisamos ficar atentos aos sinais de ideação suicida, como falas do tipo ‘seria melhor se eu morresse’ ou ‘Deus podia me levar’. Esses comentários são pedidos de ajuda disfarçados e precisam ser levados muito a sério”, alerta o médico.
O tratamento é multidisciplinar
O tratamento da depressão deve ser multifocal, envolvendo medicação, psicoterapia, mudança de estilo de vida e apoio social. Dr. Blini destaca que os antidepressivos atuais são bem mais seguros e eficazes do que os de décadas passadas, e que a atividade física é uma poderosa aliada.
“Estudos recentes mostram que o exercício físico tem efeito comparável ao de alguns antidepressivos leves. Ele deve ser incorporado principalmente na fase de recuperação, para ajudar o paciente a retomar o controle da vida”, comenta.
Impactos nas gerações mais jovens
O médico também expressou preocupação com o aumento dos casos de depressão e ansiedade entre os jovens, que hoje enfrentam sobrecarga emocional, excesso de cobrança, incertezas econômicas e uma realidade distorcida pelas redes sociais.
“Os jovens estão muito expostos e pressionados. Vêm nas redes sociais uma vida perfeita que não corresponde à realidade. Isso gera frustração e falta de propósito. É preciso falar sobre isso com responsabilidade”, defende.
Cohousing sênior: uma solução promissora
Por fim, Dr. Blini destacou a importância da socialização na saúde mental dos idosos. Ele citou iniciativas de cohousing sênior — moradias comunitárias voltadas para a terceira idade — como alternativas viáveis para combater o isolamento.
“Envelhecer com qualidade de vida tem tudo a ver com pertencimento. Participar de uma comunidade, conviver com outras pessoas e ter uma rede de apoio melhora a saúde global do idoso e reduz o risco de depressão e até demência”, conclui.
Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil, procure ajuda.
O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso. Ligue 188 ou acesse www.cvv.org.br.
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