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Secretário de Educação de MS defende atualização curricular para era da inteligência artificial

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Na última segunda-feira (15), o Secretário Estadual de Educação de Mato Grosso do Sul, Hélio Daher, foi o entrevistado do programa Agora 104, da rádio Educativa FM. Em conversa com os jornalistas Fábio Madeira e Glaura Villalba, o secretário abordou os desafios e as transformações que a tecnologia tem imposto à educação, destacando a importância de adaptar o currículo escolar à nova realidade digital e à inteligência artificial.

Confira:

Daher iniciou o bate-papo relembrando como o avanço tecnológico tem ocorrido de forma acelerada. “Se voltássemos 20 anos atrás e eu falasse sobre celular ou inteligência artificial, diriam que era ficção científica. Hoje, essa geração absorve informação por vídeos de 15 segundos. Eles escolhem o que, quando e como vão assistir. A escola precisa se reinventar diante disso”, afirmou.

Segundo ele, a escola deixou de ser o único centro de acesso ao conhecimento. Com o volume de informações disponíveis na internet, o papel do professor e do currículo é atuar como filtro e orientação ética para os alunos. “A juventude precisa aprender a usar a tecnologia com responsabilidade. O currículo escolar tem que preparar o estudante para esse novo mercado de trabalho, que exige habilidades tecnológicas e pensamento crítico”, completou.

Daher citou a necessidade de uma revisão curricular constante, algo que já está sendo feito em parceria com a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação). O objetivo é incluir temas como inteligência artificial, ética digital e uso consciente da informação. “O currículo precisa acompanhar as mudanças da sociedade. Antigamente, nossa preocupação era com a datilografia. Hoje, é garantir que os estudantes saibam lidar com a IA e com o excesso de informação que consomem todos os dias”, disse o secretário.

Outro ponto abordado foi o uso do celular em sala de aula. Embora o equipamento possa ser uma ferramenta poderosa, seu uso descontrolado tem trazido impactos negativos. “Como professor de geografia, vejo o GPS como uma excelente ferramenta pedagógica. Mas percebemos que os alunos estavam cada vez mais isolados, vivendo em bolhas digitais. Por isso, restringimos o uso do celular nas escolas, seguindo a legislação nacional”, explicou.

Daher alertou para os efeitos da falta de socialização entre os jovens. “A intolerância cresceu. As crianças não conversam mais com quem pensa diferente. Procuram apenas os semelhantes nas redes sociais. Isso se reflete em sala de aula, onde deveriam conviver com a diversidade de opiniões e realidades”, ressaltou.

Para ele, a escola deve ser um “caldeirão de ideias diferentes”, um espaço de convivência democrática e plural. “Minha maior preocupação hoje não é apenas com a aprendizagem, mas com a perda da capacidade de socialização. A educação precisa combater o isolamento provocado pelos algoritmos e formar cidadãos que saibam dialogar com o outro”, concluiu.

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