Um novo painel divulgado pelo Observatório da Cidadania, com dados levantados em Mato Grosso do Sul, confirma o que já vinha sendo indicado pelo Censo 2022: o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que corresponde a 1,2% da população.
Para entender os motivos por trás do aumento nos diagnósticos e os desafios que ainda persistem no atendimento e na inclusão de pessoas com TEA, no programa Agora 104, da FM Educativa MS, comandado pelos jornalistas Fábio Madeira e Glaura Villalba, realizou entrevista por tefelone com a psicóloga e especialista em neurodesenvolvimento Emília Gimene.
Durante a entrevista, ela explicou que o crescimento nos diagnósticos está relacionado a maior conscientização, melhor preparo dos profissionais de saúde e educação e ao avanço nas ferramentas de avaliação clínica. Emília também destacou que a prevalência entre meninos pode estar ligada a fatores genéticos e neurobiológicos, mas que meninas ainda são subdiagnosticadas, muitas vezes por apresentarem sintomas menos evidentes.
Ela reforçou ainda a importância de políticas públicas voltadas à capacitação de educadores, ampliação de atendimentos especializados e apoio às famílias. Segundo a especialista, o diagnóstico precoce e o suporte adequado fazem toda a diferença no desenvolvimento das crianças com TEA.
Confira:
No caso de Mato Grosso do Sul, a taxa é ligeiramente menor, ficando em 1,1%, distribuída entre os 79 municípios do estado.
Entre os destaques do levantamento, chama atenção a maior prevalência entre o público masculino, além de uma concentração significativa de diagnósticos em faixas etárias mais jovens. Entre crianças de 5 a 9 anos, por exemplo, o índice chega a 2,6%.
Discussão internacional e alerta para pais e educadores
Enquanto isso, no cenário internacional, uma declaração recente do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repercutiu globalmente. Trump afirmou haver indícios de que o uso do medicamento Tylenol (paracetamol) durante a gravidez estaria ligado ao desenvolvimento do autismo em crianças. A comunidade científica, no entanto, contesta essa afirmação, destacando que não há comprovação de uma relação causal entre o medicamento e o transtorno.
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