Um relatório divulgado pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente) indica que o mundo não conseguirá manter o aumento médio da temperatura global abaixo de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Mesmo que todos os compromissos atuais de redução de emissões sejam cumpridos, a estimativa aponta que o aquecimento vai se situar entre 2,3 °C e 2,5 °C nas próximas décadas. O documento destaca que, com as políticas vigentes, o aquecimento pode alcançar até 2,8 °C ou até 3,1 °C se nada for alterado.
Para manter viva a meta de 1,5 °C, seria necessário reduzir as emissões globais em cerca de 42% até 2030 e em 57% até 2035, em relação aos níveis de 2019, segundo a PNUMA. O relatório ainda mostra que as emissões globais bateram outra máxima recente: para 2024 estima-se 57,7 gigatoneladas de CO₂ equivalente, um crescimento de cerca de 2,3% em relação a 2023.
Entre os principais impactos apontados temos:
- A ultrapassagem de 1,5 °C, que pode gerar mais ondas de calor extremo, secas, elevação do nível do mar e perda acelerada de recifes de corais (em torno de 99% de destruição em 2 °C vs 70% em 1,5 °C).
- O esgotamento do “orçamento de carbono” restante (quantidade de CO₂ que ainda pode ser emitida), sendo que estimativas sugerem poucos anos restantes no ritmo atual.
- O comprometimento maior das nações, para que a próxima edição das contribuições nacionais (as “NDCs”) tenha um salto qualificado de ambição, “sem mais ar quente” (em referência à inércia), para que haja alguma chance de seguir rumo à meta de 1,5 °C.
Por fim, os especialistas alertam: mesmo se a meta de 1,5 °C for superada, ganhar espaço para limitar os danos importa; cada fração de grau a mais traz desdobramentos muito maiores de impacto para o meio ambiente do planeta.
Imagem gerada por I.A
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