O governo da Noruega confirmou nesta quinta-feira (6) a contribuição de aproximadamente US$ 3 bilhões ao Tropical Forests Forever Facility (TFFF), fundo global para conservação de florestas tropicais liderado pelo Brasil, com lançamento previsto para a COP30, em Belém (PA).
A repórter Neli Terra tem mais informações. OUÇA:
Somado ao aporte do Brasil (US$ 1 bilhão) e da Indonésia (US$ 1 bilhão), o total de compromissos alcança cerca de US$ 5 bilhões, pouco mais da metade da meta que o Ministério da Fazenda considera “bom resultado” para o evento, de US$ 10 bilhões na fase inicial.
Estruturado em modelo de financiamento público-privado misto, o TFFF busca mobilizar US$ 25 bilhões em capital de base para atrair até US$ 100 bilhões adicionais do setor privado, totalizando até US$ 125 bilhões. O rendimento anual estimado gira em torno de US$ 4 bilhões, que serão revertidos em pagamentos para os países que preservarem suas florestas tropicais.
O fundo funcionará como um mecanismo de compensação por desempenho: países tropicais que mantiverem áreas florestais intactas serão elegíveis a pagamentos fixos, sendo reservada parcela mínima de 20% destinada a povos indígenas e comunidades tradicionais.
Além da Noruega, outros países apoiadores já foram identificados, incluindo a França (US$ 500 milhões) e vários membros da coalizão de 53 nações que endossaram o mecanismo no primeiro dia da COP30.
Especialistas veem o mecanismo como inovador e de grande alcance, mas também apontam riscos. Críticos ressaltam que a dependência de mercados financeiros, o fato de o modelo ainda estar em definição de governança e os potenciais conflitos com políticas de desmatamento em vigor podem comprometer a ambição do projeto.
A confirmação do aporte norueguês é considerada um impulso decisivo para o fundo entrar em operação durante a COP30, e marca um momento de atenção internacional sobre como serão materializados os compromissos com florestas tropicais nos próximos anos.
Aportes Confirmados no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)
País / Entidade |
Valor anunciado
|
Status |
|---|---|---|
| Noruega | 3,0 | Confirmado |
| Brasil | 1,0 | Confirmado |
| Indonésia | 1,0 | Confirmado |
| França | 0,5 | Confirmado |
| Alemanha | a confirmar | Anúncio esperado na COP30 |
| Outros 48 países apoiadores | – | Apoio político sem aporte definido |
Total confirmado: US$ 5,5 bilhões
Meta inicial: US$ 10 bilhões até 2026
Meta final: US$ 25 bilhões em capital base
Fontes: Ministério da Fazenda; Reuters; CNN Brasil; The Guardian; Carbon Brief (2025).
Estrutura e Funcionamento do TFFF
Elemento |
Descrição resumida |
|---|---|
Objetivo |
Remunerar países que preservam florestas tropicais, criando incentivos financeiros para conservação. |
Modelo de operação |
Fundo internacional misto, com aportes públicos e investimentos privados aplicados em mercados financeiros. |
Meta total |
US$ 125 bilhões (US$ 25 bi em aportes soberanos + US$ 100 bi em capital privado alavancado). |
Retorno anual esperado |
US$ 4 bilhões, distribuídos entre países com desempenho positivo em conservação florestal. |
Critérios de elegibilidade |
Manutenção de cobertura florestal, controle de desmatamento e inclusão de comunidades locais. |
Governança |
Conselho internacional de países doadores e receptores, com participação da ONU e do Banco Mundial. |
Desafios |
Estrutura regulatória ainda em negociação, dependência do mercado financeiro e resistência de grupos ambientalistas. |
Potencial de impacto |
Pode reduzir pressão sobre florestas tropicais e criar modelo de financiamento climático replicável. |
Foto: AgênciaBrasil
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