Neste Novembro Azul, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de próstata, o objetivo é trocar o medo pela informação. Embora abordado o tema de forma ampla em reportagem anterior, agora é a vez de se aprofundar com especialistas em urologia.
O Dr. André Domingos, urologista formado pela UFMS, com residência em Cirurgia Geral e Urologia na USP e doutorado pelo Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto, é o convidado da vez. Ele também atua como professor de Medicina em Campo Grande e explica os principais passos da prevenção e do diagnóstico da doença.
Confira:
Segundo Dr. André, o protocolo de prevenção do câncer de próstata envolve exames regulares, entre eles o PSA (antígeno prostático específico) e o exame de toque retal. “O toque ainda é necessário porque permite detectar alterações que nem sempre aparecem no exame de sangue. Apesar do medo que muitos homens sentem, ele é rápido e essencial para a prevenção”, ressalta.
Quando o PSA apresenta alteração, o próximo passo é investigar mais detalhadamente, podendo incluir biópsia e exames de imagem. Com o diagnóstico confirmado, o tratamento pode variar entre cirurgia e radioterapia, dependendo do estágio da doença e das características do paciente.
Um dos receios mais comuns entre os homens é a disfunção erétil após a cirurgia, além da possibilidade de incontinência urinária. No entanto, Dr. André esclarece: “Hoje, com técnicas avançadas, muitos efeitos colaterais podem ser minimizados, mas é importante discutir expectativas e possibilidades com o especialista antes de qualquer procedimento.”
A pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia revela dados preocupantes: 46% dos homens acima de 40 anos só procuram um médico quando apresentam sintomas, percentual que sobe para 58% entre aqueles que dependem apenas do SUS. Além disso, seis em cada dez homens têm medo do câncer de próstata, enquanto 37% citam a impotência sexual como segunda maior preocupação. Apenas 32% afirmam se preocupar muito com a própria saúde, enquanto metade sente medo ou ansiedade ao pensar no assunto.
Outros dados da pesquisa mostram que, quando questionados sobre os principais problemas de saúde, 26% citaram o sedentarismo, 24% a pressão alta e 12% a obesidade. Já 35% dos entrevistados afirmaram não ter nenhum problema de saúde.
O receio em relação ao exame de toque ainda é significativo: em média, 1 em cada 7 homens teme o procedimento. Esse medo é mais comum entre os homens com 60 anos ou mais e entre os moradores da região Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso do Sul.
Novembro Azul, portanto, reforça a importância da informação e do acompanhamento médico. Quanto mais cedo o câncer de próstata for detectado, maiores são as chances de tratamento eficaz e qualidade de vida preservada.
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