Um estudo publicado na revista Nature Medicine analisou a ligação existente entre a atividade física moderada e a progressão da Doença de Alzheimer em idosos sem demência, mas com biomarcadores elevados de amiloide no cérebro.
A proteína amiloide é apontada como uma das principais causas da doença de Alzheimer. A amilóide se acumula no exterior dos neurônios, formando uma espécie de placa, que prejudica a comunicação entre as células, e colabora para o acumulo de outra proteína, chamada “tau”, no interior desses neurônios. Esse acúmulo de proteína “tau” gera emaranhados de neurônios, que impedem o transporte de nutrientes e favorecem o mal funcionamento das células, acelerando o declínio cognitivo e funcional.
Os resultados da pesquisa sugerem que caminhar entre 5. 001 e 7. 500 passos por dia estaria associado a um menor acúmulo da proteína “tau” na região temporal inferior do cérebro.
Conclusões da pesquisa
Os pesquisadores acompanharam adultos mais velhos, cognitivamente saudáveis, que foram equipados com pedômetros para registrar a atividade física diária. Os dados foram cruzados com dados sobre os biomarcadores de Alzheimer, amiloide e tau, no cérebro, utilizando técnicas de imagem. Embora não tenha havido evidência de redução direta dos níveis de amiloide em participantes com maior atividade física, ficou comprovado um menor acúmulo de tau ao longo do tempo. Segundo o estudo, esse efeito pareceu “estabilizar” na faixa dos 5. 001 a 7. 500 passos diários.
Por que isso importa
A amiloide é considerada um dos marcadores iniciais da doença. Já a tau, proteína que forma emaranhados de fibras de neurônios, está mais diretamente relacionada ao comprometimento cognitivo e à progressão clínica. A descoberta de que a atividade física pode retardar o acúmulo de tau no estágio pré-sintomático oferece uma ferramenta relativamente acessível de prevenção.
Implicações para prevenção e saúde pública
Para políticas de saúde e gestores, os achados destacam duas frentes:
1º – promover um estilo de vida ativo entre idosos pode ter impacto direto sobre o curso da doença em potencial;
2º – o monitoramento precoce dos biomarcadores pode orientar intervenções direcionadas a grupos de risco.
A união dessas estratégias pode ajudar a aliviar a carga da doença em sociedades que envelhecem rapidamente.
Próximos passos
Os autores alertam que embora a associação entre passos diários e um menor acúmulo de tau seja significativa, ela não demonstra causalidade definitiva. Também há a necessidade de definir com clareza os mecanismos biológicos por trás do efeito protetor da atividade física. Por isso, ensaios clínicos futuros devem explorar se os programas de exercícios podem efetivamente retardar o início do Alzheimer em pessoas com biomarcadores positivos.
Apesar de não indicar um tratamento, a nova pesquisa reforça a ideia de que, além de exames e medicamentos, caminhar todos os dias pode fazer parte do arsenal de prevenção do Alzheimer, representando uma intervenção simples, de baixo custo e com impacto potencial relevante.
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