Enquanto líderes mundiais debatem soluções globais para o clima na COP30, em Belém (PA), Campo Grande mostra que ações locais podem transformar realidades ambientais. A recuperação da Bacia do Guariroba garante hoje água de qualidade e sustentabilidade para milhares de moradores da capital sul-mato-grossense.
Confira a reportagem com Daniela Benante:
Começou nesta segunda-feira (10) e segue até o dia 21 de novembro, em Belém, no Pará, a 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). No encontro, temas como redução de emissões, energias renováveis, preservação de florestas e justiça climática estão no centro das discussões entre líderes mundiais, cientistas e representantes da sociedade civil.
Enquanto o mundo busca soluções para frear o aquecimento global, uma iniciativa em Campo Grande (MS) mostra que é possível equilibrar desenvolvimento e preservação. A Bacia do Guariroba, que já foi ameaçada pela degradação, hoje é símbolo de recuperação ambiental e responsável por 40% do abastecimento de água da cidade.
A transformação começou em 1995, com a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Bacia do Guariroba, um território de 36.200 hectares que abriga 87 nascentes e cinco sub-bacias. Desde então, produtores rurais se organizaram e fundaram a Associação de Recuperação, Conservação e Preservação da Bacia do Guariroba (ARCP), que atua em parceria com o poder público e a iniciativa privada.
“Não sou só eu. Somos um grupo que assumiu essa responsabilidade”, afirma Claudinei Pecois, presidente da ARCP.
De acordo com Amanda Mariano, da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), 79 propriedades rurais estão na área da APA, e 23 delas participam ativamente dos programas de recuperação e reflorestamento.
O trabalho coletivo tem dado resultado. Áreas antes degradadas voltaram a abrigar vegetação nativa, nascentes foram recuperadas e a qualidade da água melhorou significativamente. A concessionária Águas Guariroba também tem papel fundamental, fornecendo mudas para o reflorestamento e participando do Conselho Gestor da APA.
“Cuidar do meio ambiente é garantir o futuro das próximas gerações”, ressalta Francis Yamamoto, diretora executiva da empresa.
Trinta anos depois, a história da Bacia do Guariroba mostra que a preservação é possível quando há união, compromisso e visão de futuro — valores que também orientam os debates da COP30. A experiência de Campo Grande prova que, para enfrentar a crise climática, é preciso agir localmente para transformar globalmente.
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