No meio do barulho de críticas e pressões de diversos setores, a Conferência das Partes (COP) continua sendo o espaço onde o mundo precisa enfrentar escolhas difíceis sobre mudanças climáticas. Para o pesquisador Paulo Artaxo, uma das maiores referências brasileiras na área, existem cinco pontos inadiáveis que devem orientar os documentos finais da conferência:
- Acabar com a exploração de combustíveis fósseis, com uma agenda gradual, mas com ações claras nessa direção.
- Erradicar o desmatamento da Amazônia e de todas as florestas tropicais até 2030.
- Estruturar mecanismos de financiamento que facilitem a transição energética de países em desenvolvimento.
- Adaptar-se às novas condições climáticas, com estratégias definidas e apoio econômico para proteger as populações mais vulneráveis.
- Reconstruir a cooperação internacional com base na multilateralidade, pois apenas trabalhando em conjunto os 196 países signatários da Convenção do Clima poderão encontrar soluções eficazes.
Artaxo destaca que, embora seja legítimo cobrar coerência de governos e empresas — especialmente em relação à exploração de petróleo em áreas sensíveis —, é preciso reconhecer que a crise climática não se resolve em duas semanas. “Não podemos imaginar que vamos resolver todos os problemas das mudanças climáticas em uma reunião de duas semanas. É um processo, mas o importante é que ele comece na direção certa”, afirmou ao canal Verdes Marias.
O recado do pesquisador é claro: menos fachada, mais compromisso mensurável. Para Artaxo, o sucesso da COP depende de decisões concretas, cooperação internacional e continuidade de ações que apontem o mundo para um futuro sustentável.
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