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Programa Gás do Povo inicia com um milhão de famílias

A meta é atender 50 milhões de brasileiros até 2026, triplicando o número de beneficiários do antigo modelo.

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A Caixa Econômica Federal anunciou que a distribuição do vale-recarga do programa Gás do Povo terá início na próxima segunda-feira, 24 de novembro. Nesta primeira etapa, aproximadamente 1 milhão de famílias serão contempladas com botijão de gás de cozinha (13 kg) gratuito em dez capitais brasileiras. As cidades incluídas na fase inicial são: Salvador (BA), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Recife (PE), Teresina (PI), Natal (RN), Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). O programa foi oficialmente lançado em setembro pelo governo federal e representa uma versão ampliada do antigo auxílio gás, que atendia cerca de 5 milhões de famílias. O Gás do Povo pretende realizar uma expansão gradual do benefício para alcançar 15,5 milhões de famílias até março de 2026, o que corresponde a cerca de 50 milhões de pessoas atendidas, o triplo do número alcançado pelo programa anterior. Quem já recebe o Auxílio Gás segue recebendo o valor em dinheiro até ser migrado para o novo programa.

Diferentemente do modelo anterior, em que o governo depositava um valor em dinheiro para a compra do gás, o Gás do Povo oferecerá recarga gratuita do botijão de gás diretamente nas revendas credenciadas. Ou seja, o beneficiário não receberá mais um auxílio em espécie, mas sim o direito de retirar um botijão cheio sem pagar nada no ato. No momento da retirada, a validação será feita eletronicamente e não haverá qualquer pagamento em dinheiro pelo beneficiário. 100% do valor da recarga será pago pelo governo. O subsídio cobre integralmente o preço médio do botijão de 13 kg em cada estado, eliminando a barreira do custo para as famílias atendidas.  

Outro diferencial do Gás do Povo é que a quantidade de botijões gratuitos varia conforme o tamanho da familia. Lares com quatro ou mais pessoas poderão receber até 6 botijões por ano, enquanto famílias menores (de até 3 integrantes) terão direito a até 4 botijões anuais. Dessa forma, o benefício se adapta à necessidade, garantindo que mesmo famílias numerosas consigam cozinhar exclusivamente com gás de cozinha. A estimativa é que cerca de 65 milhões de botijões de GLP sejam distribuídos gratuitamente por ano às famílias inscritas.

Para ter direito, a família deve cumprir os seguintes critérios básicos:

 – Estar inscrita no CadÚnico do governo federal, com cadastro atualizado há pelo menos 24 meses;

 – Ter renda familiar per capita de até meio salário mínimo (aproximadamente R$ 760;

 – Estar com CPF e dados cadastrais regulares, sem inconsistências (pois pendências podem impedir a inclusão ou levar ao cancelamento do benefício).

Famílias que já recebem o Bolsa Família terão preferência na liberação do vale-gás gratuito. A seleção e habilitação dos beneficiários é feita automaticamente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) com base nos dados do CadÚnico – não sendo necessário cadastro específico para o programa. As famílias podem verificar se foram contempladas consultando o aplicativo Meu Social, o Portal Cidadão da Caixa ou pelo telefone 0800 726 0207. Além disso, dúvidas sobre o Gás do Povo podem ser tiradas no número 121 (central do Governo Federal, disponível 24h) ou no SAC da Caixa.

Distribuição e retirada do botijão

Para retirar o botijão gratuito, o responsável familiar deve se dirigir a um ponto de venda credenciado munido de alguma das formas de identificação válidas no programa:

 – Cartão do Bolsa Família com chip (utilizado com a mesma senha do benefício);

 – Cartão de Débito da Caixa ligado à conta Poupança Social (com senha);

 – Número de CPF.

Todo o processo é digital e integrado, para garantir transparência e evitar fraudes. A partir de fevereiro de 2026, o governo também prevê disponibilizar um aplicativo, pelo qual será possível gerar um QR Code ou código de validação para retirar o gás, ampliando as opções de acesso, principalmente para quem não possui cartões físicos.

Principais diferenças em relação ao antigo Auxílio Gás (criado em 2021):

Forma do benefício: antes o apoio era dado em dinheiro (depósitos bimestrais na conta do beneficiário), agora é fornecido diretamente em um vale-recarga, que garante um botijão 100% gratuito no momento da retirada. Isso assegura que o recurso seja efetivamente usado para compra do gás de cozinha.

Número de beneficiários:  a cobertura será expandida, passando de cerca de 5 milhões de famílias atendidas para mais de 15 milhões previstas até 2026. Em termos de indivíduos, o salto é de aproximadamente 16 milhões de pessoas para 50 milhões, triplicando o alcance social do programa.

Valor e frequência do auxílio: no modelo antigo, o valor do auxílio correspondia a uma parcela do preço do botijão (com base no valor médio nacional) pago a cada dois meses. Já o novo programa oferece 100% do custo de cada botijão necessário, com a possibilidade de até 6 recargas por ano, conforme o tamanho da família. Uma diferenciação inédita que pretende tornar a política mais justa.

Logística e controle: anteriormente, cabia à família adquirir o botijão no mercado usando o dinheiro recebido, sem vínculo direto com fornecedores. Agora, o benefício envolve diretamente os pontos de venda credenciados, integrando o sistema bancário da Caixa ao sistema das revendas de GLP. Esse desenho logístico reduz riscos de desvio de finalidade e fraudes, além de simplificar o acesso: basta o beneficiário apresentar documento ou cartão para efetivar a retirada gratuita do gás.

Impacto social e saúde pública

A ampliação do acesso ao gás de cozinha tem implicações sociais significativas. Dados do IBGE mostram que 12,7 milhões de famílias no Brasil (17% dos domicílios) ainda fazem uso de lenha ou carvão como complemento para cozinhar, devido à renda insuficiente para comprar botijões. Destas, cerca de 5 milhões são famílias de baixa renda (aproximadamente 15 milhões de pessoas) que já possuem fogão a gás, mas recorrem à lenha nos períodos em que falta dinheiro para o GLP. 

Essa realidade traz sérios problemas: o uso prolongado de fogão a lenha expõe principalmente mulheres e crianças a níveis altos de fumaça e poluição dentro de casa, com concentrações de poluentes até 33 vezes acima dos limites recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Como resultado, estudos apontam aumento de 2 a 3 vezes no risco de infecções respiratórias graves em crianças pequenas e contribuem para doenças pulmonares crônicas em adultos, pressionando o sistema público de saúde. Além disso, famílias que dependem de lenha muitas vezes gastam em média 18 horas semanais coletando madeira para o fogo, tempo que poderia ser dedicado ao trabalho, estudo ou outras atividades produtivas. 

Essa transição para o “cozimento limpo” deve melhorar a saúde pública a longo prazo, reduzindo doenças respiratórias e acidentes domésticos, ao mesmo tempo em que permitirá às famílias prepararem seus alimentos adequadamente.   A iniciativa está alinhada aos objetivos de desenvolvimento sustentável de energia limpa e acessível.  O investimento governamental é de R$ 3,57 bilhões, já previsto na Lei Orçamentária Anual, em 2025  e a projeção de gasto para 2026 é de R$ 5,1 bilhões.

Foto: AgênciaBrasil

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