Na coluna “Fala Delegado”, no programa da FM Educativa MS 104.7, foi abordado de um tema urgente e doloroso: os feminicídios e o que a sociedade e o poder público podem fazer para enfrentá-los. Para debater o assunto, recebemos no estúdio o colunista Dr. André Matsushita e a delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande, Dra. Fernanda Piovano.
Confira:
Infelizmente, o Mato Grosso do Sul registra números alarmantes. Hoje, já são 37 casos de feminicídio no estado. No mais recente, a vítima, Alienne, de Dourados, tinha medida protetiva contra o agressor, que estava usando tornozeleira eletrônica. Ainda assim, ele invadiu sua casa e a matou com dezenas de golpes de faca, diante do filho de 9 anos.
Dra. Fernanda enfatiza que o machismo, muitas vezes, se manifesta como uma “doença hereditária”, transmitida de geração em geração, alimentada por desejo de poder, controle e imaturidade emocional. “É pérfido e mortal. E os agressores não estão para brincadeira, os números não mentem”, alerta a delegada.
O caso evidencia a necessidade de repensar a percepção da sociedade e do Estado sobre o potencial destrutivo desses homens. “Quando se concede tornozeleira eletrônica a um agressor com histórico de violência, ou quando se permite que a vítima retorne para casa depois de denunciar, assume-se um risco gravíssimo”, afirma Matsushita.
Em outros países, como a Itália, o feminicídio é punido com prisão perpétua, uma medida que reflete a gravidade do crime. No Brasil, especialistas defendem que leis mais rígidas e políticas públicas mais efetivas sejam aplicadas, permitindo que polícia e judiciário exerçam o rigor necessário para proteger as mulheres.
“É hora de agir, de transformar legislação e práticas de proteção, para que possamos realmente combater essa epidemia de violência de gênero e salvar vidas”, conclui Dra. Fernanda.
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