Setor comemora aumento na produção e exportação, mas enfrenta desafios no comércio global
A avicultura sul-mato-grossense vive um momento de destaque em 2025. O setor, que movimenta a mesa do consumidor brasileiro e fortalece a balança comercial do Estado, registrou crescimento expressivo nas exportações e também no número de abates. Entre julho e agosto, o Mato Grosso do Sul abateu cerca de 2 milhões de frangos a mais, representando um aumento de aproximadamente 15% na produção.
Com esse avanço, o Estado se consolida como um importante player no mercado internacional, tendo o Japão superado a China como principal destino da carne de frango sul-mato-grossense. Além desses dois países, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e África do Sul seguem como tradicionais compradores do produto.
Segundo o economista Aldo Barrigossi, que acompanha de perto o desempenho do setor no programa GPS da Economia, o Brasil permanece como o maior exportador mundial de carne de frango, mesmo direcionando apenas 30% da produção ao mercado externo. Os outros 70% atendem o consumo interno, o que torna a cadeia produtiva nacional menos vulnerável às oscilações do comércio global.
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“A cadeia produtiva da avicultura é extensa. Vai do milho, que alimenta o frango, até empresas de genética, granjas e frigoríficos. O crescimento das exportações movimenta toda essa estrutura, gerando empregos, renda e desenvolvimento regional”, afirma Barrigossi.
Oferta em alta pode conter preços ao consumidor
O aumento da oferta de carne de frango no mercado interno, puxado pela elevação na produção, pode ajudar a segurar os preços ao consumidor. “Mais frango no mercado, e uma demanda que não cresce na mesma velocidade, tende a equilibrar ou até reduzir os preços. Isso é positivo para o bolso do consumidor”, explica o economista.
Além disso, a recente safra de milho abundante no Estado – principal insumo da ração animal – contribui para reduzir os custos de produção e sustentar a competitividade do setor.
Desafios internacionais: gripe aviária e o “tarifaço” de Trump
Apesar do bom desempenho, o setor enfrenta desafios. Em maio, um foco de gripe aviária detectado em uma granja comercial de Montenegro (RS) interrompeu temporariamente as exportações brasileiras. Seguindo os protocolos da Organização Mundial de Saúde Animal, o Brasil ficou cerca de 30 dias impedido de vender ao exterior, mas já retomou as exportações após ser novamente reconhecido como país livre da doença.
Outro fator de atenção é o chamado “tarifaço do Trump”, que impôs novas tarifas sobre carnes importadas pelos Estados Unidos. Como o país é um dos grandes compradores de cortes específicos, como peito e coxa sobrecoxa, a medida pode afetar diretamente a competitividade da produção brasileira, inclusive a de Mato Grosso do Sul.
“Cada país tem suas preferências. A China compra o pé do frango, os EUA preferem o peito. Qualquer barreira comercial nesse sentido impacta o escoamento e os preços dos produtos”, analisa Barrigossi.
Acordos bilaterais e papel do governo
Para mitigar os impactos das barreiras comerciais e ampliar mercados, o Brasil tem investido em missões comerciais e busca de acordos bilaterais, como o recém-realizado com o México. O economista defende uma mudança na postura do país nas negociações internacionais.
“O mundo tem avançado com acordos bilaterais. O Brasil precisa acompanhar esse movimento para garantir a inserção dos nossos produtos em mais mercados. Temos qualidade e volume para atender o mundo”, afirma.
No campo doméstico, o governo federal também atua para apoiar o setor. Um pacote foi anunciado para absorver parte da produção excedente, direcionando-a a programas sociais e merenda escolar, como forma de garantir renda mínima ao produtor e abastecimento interno.
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