A esposa e a filha do renomado arquiteto chinês Kongjian Yu chegaram nesta segunda-feira (30) a Mato Grosso do Sul para realizar a coleta de material genético. A amostra será utilizada para identificação oficial do corpo encontrado após a queda da aeronave em Aquidauana, no último dia 23 de setembro.
De acordo com a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a análise de DNA deverá ser rápida, podendo ser concluída em apenas uma manhã ou tarde. Com a confirmação da identidade, o corpo será liberado para translado à China, onde será velado e sepultado em Pequim.
Entre os quatro ocupantes do avião modelo Cessna 175, fabricado em 1958, três já foram identificados: o piloto Marcelo Pereira de Barros, sepultado em Aquidauana, e os cineastas Rubens Crispim Júnior e Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, cujos corpos foram sepultados em São Paulo.
Relatório preliminar
Segundo o relatório preliminar do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o acidente ocorreu quando a aeronave colidiu com uma árvore durante a aproximação para pouso. A investigação indica que o voo aconteceu fora do horário permitido para operações visuais, cerca de 30 minutos após o limite das 18h09 , o que contribuiu para a baixa visibilidade no momento da tentativa de pouso.
Durante a manobra de arremetida e realinhamento com a pista, a aeronave atingiu uma árvore de aproximadamente 20 metros de altura, localizada a 300 metros da cabeceira da pista, levando à queda.
Apuração criminal
A Polícia Civil, por meio do DRACCO (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), também investiga o caso. Além da dinâmica do acidente, o inquérito apura possíveis irregularidades relacionadas à operação do voo, como a falta de plano de voo e a navegação em área classificada como ZIDA (Zona de Identificação de Defesa Aérea), sem autorização prévia.
A delegada Ana Cláudia Medina, diretora do DRACCO, coordena a investigação, com prazo inicial de 30 dias para conclusão, podendo ser prorrogado.
Legado internacional
Kongjian Yu era uma das maiores referências mundiais em arquitetura paisagística. Criador do conceito de “cidades-esponja”, que propõe soluções urbanas sustentáveis para o controle de enchentes, ele estava no Pantanal para estudar o bioma como um “filtro natural”.
Fundador da Faculdade de Arquitetura e Paisagismo da Universidade de Pequim, editor-chefe da revista Landscape Architecture Frontiers e diretor de um dos maiores escritórios de arquitetura paisagística do mundo, Yu deixa um legado acadêmico e ambiental reconhecido internacionalmente.
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