Violência

Violência sexual infantil atinge escala global alarmante

Estudo internacional estima que mais de 1 bilhão de mulheres sofreram abuso sexual na infância

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Um estudo publicado na revista científica The Lancet acendeu um alerta mundial ao revelar que mais de 1 bilhão de mulheres, atualmente acima de 15 anos, foram vítimas de violência sexual durante a infância. A estimativa foi construída a partir da análise de dados de mais de 150 países e aponta que o problema é mais comum do que se imaginava, com impacto profundo na saúde física, emocional e social das vítimas ao longo da vida.

A repórter Neli Terra tem mais informações. OUÇA:

O levantamento reúne indicadores de organismos como OMS, Unicef e Banco Mundial. A pesquisa considera episódios de contato sexual forçado, manipulação, coerção ou qualquer ato sem consentimento praticado por adultos ou adolescentes mais velhos. Em muitas regiões, a subnotificação ainda impede o dimensionamento real da violência, já que grande parte dos casos não é comunicada às autoridades.

Os números mostram que a prevalência varia entre países, mas segue elevada em todas as faixas de renda. Em alguns locais, cerca de uma em cada cinco meninas sofreu algum tipo de abuso antes dos 18 anos. Especialistas apontam que os fatores de risco incluem desigualdade de gênero, pobreza, violência doméstica, frágil proteção institucional e ausência de mecanismos de denúncia e acolhimento.

O impacto desse tipo de violência acompanha a vítima por toda a vida. Estudos citados pelo The Lancet relacionam o abuso infantil a depressão, ansiedade, transtornos alimentares, uso abusivo de álcool e drogas, além de maior risco de doenças crônicas no futuro. Há também consequências sociais, como evasão escolar, queda na produtividade e dificuldade de formar vínculos afetivos seguros.

Os pesquisadores defendem ações coordenadas entre governos, escolas, sistemas de saúde e comunidades. Entre as medidas consideradas urgentes estão o fortalecimento das redes de proteção infantil, campanhas de conscientização, investimento em programas de apoio psicológico, educação sobre consentimento e responsabilização mais efetiva de agressores.

Organismos internacionais também pedem que países melhorem seus sistemas de coleta de dados. A falta de estatísticas confiáveis impede diagnósticos precisos e atrasa políticas públicas. No Brasil, pesquisas do Ministério da Saúde e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública já indicavam incidência elevada de violência sexual contra crianças, com grande parte dos casos ocorrendo dentro de casa e praticada por conhecidos da família.

A publicação no The Lancet reforça que a violência sexual infantil é um fenômeno global e persistente. O estudo conclui que enfrentar o problema exige não apenas reconhecimento da dimensão da violência, mas compromisso político e social para interromper ciclos de abuso e garantir proteção às futuras gerações.

Foto: agênciaBrasil

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