O Brasil fechou 2025 com um recorde histórico nas exportações de carne bovina. Os embarques cresceram 20,9% em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais do governo federal, consolidando o país como o maior exportador mundial do produto e colocando o setor à frente dos Estados Unidos em volume exportado. O avanço ocorreu mesmo em um cenário internacional mais cauteloso, marcado por tensões comerciais, disputas geopolíticas e mudanças no consumo global de proteínas.
A repórter Neli Terra tem mais detalhes. OUÇA:
O que explica o crescimento
O desempenho foi puxado por três fatores principais. O primeiro foi a ampliação da oferta interna, com maior produtividade do rebanho e melhora no rendimento industrial. O segundo foi a competitividade do preço brasileiro no mercado internacional, favorecida pelo câmbio e por custos de produção mais baixos em comparação com outros grandes produtores. O terceiro foi a diversificação de destinos, com aumento das vendas para países do Oriente Médio, Sudeste Asiático e América Latina.
A China seguiu como principal compradora, respondendo por cerca de metade das exportações brasileiras. Em termos simples, a cada dois contêineres de carne enviados ao exterior, um teve como destino o mercado chinês. Ao mesmo tempo, cresceram as vendas para mercados como Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Indonésia e México.
China, salvaguardas e novos mercados
Apesar do bom resultado, o setor acompanha com atenção as salvaguardas aplicadas pela China, que impõem limites ou condições adicionais às importações quando há crescimento muito rápido dos volumes. Essas medidas não significam fechamento de mercado, mas podem reduzir o ritmo de compras em determinados períodos.
Para compensar esse risco, frigoríficos e o governo brasileiro apostam na abertura de novos mercados e na ampliação de cotas existentes. Estão no radar países como Japão, Coreia do Sul e Canadá, considerados estratégicos por pagarem preços mais altos e exigirem padrões sanitários rigorosos. A entrada nesses mercados tende a elevar o valor médio da carne exportada, mesmo sem crescimento expressivo de volume.
Impacto econômico e para o produtor
O recorde de exportações trouxe efeitos diretos para a economia. A carne bovina está entre os principais itens da pauta do agronegócio e contribuiu de forma relevante para o superávit da balança comercial em 2025. O setor também gerou empregos ao longo da cadeia, da pecuária à indústria frigorífica e à logística.
Para o produtor rural, o cenário foi de maior demanda externa e preços mais sustentados ao longo do ano, ainda que com oscilações. Em algumas regiões, o valor da arroba subiu, melhorando a margem, enquanto em outras o ganho veio da escala de produção e do aumento das vendas.
Geopolítica e cenários para os próximos anos
O avanço brasileiro ocorre em um contexto de reconfiguração do comércio global de alimentos. Conflitos regionais, mudanças climáticas e disputas comerciais têm levado muitos países a buscar fornecedores considerados confiáveis e com capacidade de entrega regular. Nesse cenário, o Brasil se beneficia da combinação de grande rebanho, clima favorável e experiência exportadora.
Por outro lado, questões ambientais e pressões por sustentabilidade seguem no centro do debate internacional. A capacidade do país de comprovar rastreabilidade, redução do desmatamento e boas práticas produtivas será decisiva para manter e ampliar o acesso a mercados mais exigentes.
Para 2026, a expectativa do setor é de crescimento mais moderado, porém ainda positivo. A estratégia passa menos por volume e mais por valor, com foco em novos mercados, produtos de maior qualidade e menor dependência de um único comprador. Se esse movimento se confirmar, o recorde de 2025 pode marcar não apenas um pico, mas uma mudança estrutural na posição do Brasil no comércio mundial de carne bovina.
Deixe um comentário