Energia

Itaipu: disparidades fazem Brasil pagar mais caro

Diferença no preço pago por brasileiros e paraguaios pela energia produzida na usina reacende debate sobre custos, acordos e futuro de Itaipu

Compartilhar
Compartilhar

Em 2025, o Brasil pagou, em média, US$ 47,35 por megawatt-hora da energia gerada por Itaipu, enquanto o Paraguai desembolsou US$ 23,17 pelo mesmo volume. Em termos simples, o brasileiro pagou cerca do dobro do valor pago pelo vizinho. A chamada “conta desigual” não está ligada à eficiência da usina, mas a regras contratuais, compromissos financeiros históricos e à forma como cada país utiliza sua parte da energia.

Itaipu é uma usina binacional, pertencente igualmente a Brasil e Paraguai. Cada país tem direito a metade da energia gerada. O Paraguai consome apenas uma fração dessa cota, algo próximo de um em cada cinco megawatts a que teria direito. O excedente é vendido ao Brasil, que utiliza praticamente toda a sua metade e ainda compra o que sobra do lado paraguaio.

A diferença de preço nasce principalmente da dívida histórica da usina. Por décadas, o Brasil arcou com a maior parte do financiamento para a construção de Itaipu e, por isso, assumiu parcelas mais elevadas dos custos de amortização e encargos financeiros. O Paraguai, que consome menos energia e não precisou investir no mesmo nível, paga um valor menor por megawatt-hora.

Além disso, o preço da energia inclui não apenas o custo de geração, mas também encargos operacionais, manutenção e compromissos financeiros previstos no Tratado de Itaipu. Embora a dívida principal tenha sido quitada em 2023, parte dos custos estruturais e das regras de comercialização ainda mantém a diferença entre os dois países.

No cenário atual, Itaipu segue sendo estratégica para o Brasil. A usina responde por cerca de 8% a 9% de toda a eletricidade consumida no país, chegando a mais de um em cada dez megawatts em períodos de hidrologia favorável. É uma das maiores fontes individuais de energia limpa e estável da matriz elétrica brasileira, que hoje tem mais de 80% de participação de fontes renováveis.

Para os próximos anos, há espaço para mudanças. Brasil e Paraguai discutem novos modelos de comercialização do excedente paraguaio, maior liberdade para o Paraguai vender energia a outros mercados e revisões nos critérios de formação de preços. A expectativa é que, com a dívida quitada e a revisão de acordos bilaterais, o custo da energia de Itaipu para o Brasil possa cair gradualmente, reduzindo o peso na tarifa final.

Ao mesmo tempo, o avanço de fontes como solar e eólica no Brasil tende a diminuir a dependência relativa de Itaipu, embora a usina continue essencial para garantir estabilidade ao sistema. O desafio nos próximos anos será equilibrar preços, segurança energética e a relação diplomática entre os dois países, transformando uma fonte histórica de tensão em um ativo ainda mais eficiente para ambos.

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados
Produtor rural de MS analisa conta de energia elétrica com reajuste impactando custos de produção.
Energia

Reajuste de energia pressiona custos de produção no agronegócio de MS

O reajuste das tarifas de energia elétrica voltou a preocupar o agronegócio...

Ilustração representando investimento em baterias para modernização do setor elétrico no Brasil.
Energia

Brasil abre as portas para investimentos em baterias e acelera modernização do setor elétrico

O Brasil deu um passo importante para a modernização do setor elétrico...

Acidentes com postes de energia em Mato Grosso do Sul triplicam em 2026.
Energia

Acidentes com postes de energia triplicam em MS e acendem alerta no trânsito

O número de acidentes envolvendo veículos e postes de energia elétrica em...

Mato Grosso do Sul em destaque no mapa do Brasil com símbolo de energia renovável, representando investimentos em hidrogênio verde.
Energia

Hidrogênio verde entra na disputa por investimentos e coloca MS no radar político da energia

O hidrogênio verde entrou de vez na agenda energética brasileira e já...