Janeiro é o mês em que cidades de todo o país se iluminam de roxo. Mas a cor vai além da campanha visual: é um alerta, um grito contra o esquecimento.
O Brasil inicia 2026 ainda enfrentando um desafio preocupante: segue entre os países com maior incidência de hanseníase no mundo. Uma doença antiga, curável, mas que continua marcada pelo silêncio, pelo diagnóstico tardio e pelo preconceito.
Confira a reportagem com Daniela Nahas. OUÇA:
O diagnóstico precoce é a principal arma para evitar incapacidades físicas e, acima de tudo, para derrubar o estigma que ainda acompanha a doença. Informação salva corpos — e também histórias.
Neste especial, vamos ouvir a ciência, mas também o coração de quem sentiu na pele o peso do preconceito e, depois, a alegria da cura.
Fique atento aos sinais. O que você ignora hoje pode mudar sua vida amanhã.
Manchas que não doem, áreas do corpo com perda de sensibilidade ou de pelos, formigamento constante. Para muitos pacientes, o diagnóstico demora meses, às vezes anos. A hanseníase é silenciosa — e exatamente por isso, perigosa quando ignorada.
Para entender os avanços no combate à doença, conversamos com o médico Dr. Augusto Brasil, diretor técnico do Hospital São Julião, referência nacional no tratamento da hanseníase.
Mas os números ganham rosto nas histórias de quem viveu a doença.
A história de Simone Ortiz, de apenas 30 anos, é de superação. Ela passou por vários médicos e, por muito tempo, suas queixas foram tratadas como simples alergia. Coceiras persistentes, nódulos nos braços e nas pernas — sinais que demoraram a ser reconhecidos.
Quando finalmente recebeu o diagnóstico correto, Simone conta que sentiu alívio. Sabia que, enfim, começaria o tratamento adequado. Hoje, ela reforça um ponto essencial: quem está em tratamento não transmite a hanseníase. Ainda assim, o preconceito continua sendo uma das maiores dores.
Aos 70 anos, Ruth de Souza Salviano também relembra o momento da descoberta. Foi por meio de um folheto informativo, encontrado no Hospital São Julião — o mesmo onde seu pai tratava a doença — que ela identificou os sinais e buscou ajuda.
Histórias diferentes, um mesmo desafio: combater a desinformação.
Informação é o melhor remédio contra o preconceito.
Em caso de dúvidas, procure a unidade de saúde mais próxima. Guias visuais sobre os sintomas estão disponíveis no site oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Para agendar exames na sua região, consulte o portal do SUS.
Janeiro Roxo nos lembra que a cura começa com o conhecimento — e que a luz contra o preconceito nunca pode se apagar.
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