Energia

Luz Para Todos amplia alcance

Programa federal prevê R$ 2,5 bilhões em investimentos em 2026, com foco na Amazônia e áreas rurais isoladas. MS tem 1000 moradias desconectadas do sistema

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O programa Luz para Todos deve receber R$ 2,5 bilhões em novos investimentos em 2026. O objetivo é ampliar contratos, acelerar ligações e reforçar o atendimento em regiões remotas, com prioridade para a Amazônia Legal e comunidades rurais ainda fora da rede elétrica.

A repórter Neli Terra tem mais informações. OUÇA:

 

Criado para universalizar o acesso à energia no país, o programa já levou eletricidade a mais de 17 milhões de brasileiros desde o início dos anos 2000, segundo dados oficiais do governo federal. Apesar do avanço, cerca de 1 milhão de pessoas ainda vivem sem acesso regular à energia elétrica, concentradas principalmente em áreas de difícil acesso.

A nova rodada de investimentos busca enfrentar esse gargalo. A estratégia inclui expansão de redes convencionais, uso de sistemas isolados e soluções com energia solar fotovoltaica, especialmente em comunidades ribeirinhas, indígenas e assentamentos rurais. Nessas áreas, levar postes e linhas tradicionais costuma ser caro e demorado.

Cenário em MS

 No discurso nacional de retomada e expansão do Luz para Todos, Mato Grosso do Sul aparece como um estado onde a falta de energia virou um problema pequeno em volume, mas teimoso em localização. Dados da PNAD Contínua 2024, divulgados pelo IBGE, indicam cobertura de 99,9% dos domicílios em MS, o que equivale a cerca de 1,159 milhão de residências com energia. Ainda assim, pouco mais de mil domicílios seguem sem acesso.   Na prática, esse “restinho” costuma se concentrar em áreas rurais e moradias isoladas, onde a rede não chega com facilidade e o custo por ligação sobe.

Nova estratégia

O Ministério de Minas e Energia afirma que o foco em 2026 será acelerar as conexões. Hoje, o tempo médio para atendimento em regiões remotas pode ultrapassar um ano. A meta é reduzir esse prazo com contratos mais ágeis e maior participação das distribuidoras locais.

Outro ponto central é a Amazônia Legal. A região reúne quase metade das famílias ainda sem acesso à eletricidade no país. Além da distância, pesam fatores como relevo, rios extensos e restrições ambientais. Por isso, o programa aposta em sistemas descentralizados, com geração local, menor impacto ambiental e manutenção simplificada.

O plano também dialoga com a transição energética. Em vez de depender apenas de diesel em sistemas isolados, o governo pretende ampliar o uso de fontes renováveis. Projetos híbridos, que combinam solar e baterias, ganham espaço. A expectativa é reduzir custos operacionais e emissões de carbono ao longo do tempo.

Enquanto a solução definitiva não chega, moradores sem luz recorrem a alternativas que resolvem o básico, mas cobram seu preço. Entram no kit sobrevivência geradores, sistemas solares isolados com baterias, além de soluções improvisadas para iluminação e conservação de alimentos. Em geral, são saídas que custam mais no longo prazo e entregam menos conforto.  

Do ponto de vista econômico, o acesso à energia muda o padrão de vida das comunidades atendidas. A eletrificação permite conservação de alimentos, acesso a serviços de saúde, educação a distância e geração de renda. Estudos do setor indicam que a chegada da energia pode elevar a renda local e reduzir desigualdades regionais.

A execução do programa envolve o governo federal, distribuidoras de energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica, que regula contratos e metas. Parte dos recursos vem da Conta de Desenvolvimento Energético, fundo setorial que financia políticas públicas no setor elétrico.

Para 2026, a expectativa é que milhares de novas ligações sejam contratadas, consolidando o Luz para Todos como uma das principais políticas de inclusão social via infraestrutura. O desafio permanece grande, mas o reforço de recursos sinaliza prioridade em levar energia onde o mercado, sozinho, não chega.

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