Empresas e Negócios

Cooperativas ampliam base de associados e reforçam peso econômico no Brasil

Modelo reúne mais de 23 milhões de cooperados e movimenta bilhões no agro e no crédito

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O cooperativismo vive nova fase de expansão no Brasil. O país encerrou 2023 com mais de 23 milhões de cooperados, distribuídos em cerca de 4,5 mil cooperativas ativas, segundo dados do Sistema OCB, a Organização das Cooperativas Brasileiras. O setor gera mais de 550 mil empregos diretos e está presente em áreas como agropecuária, crédito, saúde, transporte e consumo.

O crescimento recente chama atenção pelo aumento do número de associados e pela diversificação das áreas de atuação. O cooperativismo de crédito, por exemplo, ampliou participação no sistema financeiro nacional nos últimos anos e já responde por parcela relevante das operações em municípios do interior.

O que é uma cooperativa

Uma cooperativa é uma associação de pessoas com interesses econômicos ou sociais comuns. Diferente de empresas tradicionais, ela pertence aos próprios associados. Cada cooperado tem direito a voto nas decisões, independentemente do capital investido.

O objetivo central não é maximizar lucro para acionistas, mas gerar benefícios econômicos e sociais aos membros. Sobras financeiras são distribuídas proporcionalmente à participação de cada associado nas atividades da cooperativa.

Origem e evolução

O modelo cooperativista surgiu formalmente em 1844, na Inglaterra, com os chamados “Pioneiros de Rochdale”. O conceito se espalhou pela Europa e chegou ao Brasil no fim do século XIX.

No Brasil, o cooperativismo ganhou força no século XX, especialmente no setor agropecuário. A Lei nº 5.764, de 1971, instituiu a Política Nacional de Cooperativismo e deu base jurídica ao sistema. Desde então, o modelo se consolidou como instrumento de organização econômica.

Papel estratégico no agro

No campo, as cooperativas cumprem função estratégica. Elas aumentam o poder de negociação de pequenos e médios produtores, reduzem dependência de atravessadores e permitem compras coletivas de insumos com melhor preço.

Segundo o Sistema OCB, as cooperativas agropecuárias reúnem mais de 1 milhão de produtores rurais no país. Elas respondem por parcela significativa da produção nacional de grãos, leite, carnes e café.

Além da comercialização, muitas cooperativas investem em armazenagem, beneficiamento e industrialização. Isso agrega valor à produção e amplia a renda do produtor associado.

Mato Grosso do Sul amplia protagonismo

Em Mato Grosso do Sul, o cooperativismo tem forte presença no agro. O estado conta com dezenas de cooperativas registradas no Sistema OCB/MS, com destaque para grãos, leite e crédito rural.

A Copasul, sediada em Naviraí, reúne milhares de produtores e atua na produção e industrialização de soja, milho e algodão. A cooperativa mantém unidades de armazenamento e indústria própria, fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Outra presença relevante é a expansão de cooperativas interestaduais, como a Coamo, que opera unidades no estado e integra produtores sul-mato-grossenses a cadeias nacionais de comercialização.

O crescimento do agronegócio no estado impulsiona o modelo cooperativista. Mato Grosso do Sul está entre os principais produtores de soja e milho do país, além de ter cadeia de proteína animal em expansão. A organização coletiva amplia competitividade e facilita acesso a crédito e tecnologia.

Crédito cooperativo cresce no interior

O cooperativismo de crédito também avança em MS. Instituições como Sicredi e Sicoob ampliaram presença no interior e aumentaram a oferta de financiamento a produtores e pequenos empresários.

Em muitos municípios brasileiros, cooperativas de crédito já concentram parte expressiva das operações financeiras, fortalecendo economias locais e reduzindo concentração bancária.

O futuro das cooperativas

O cenário aponta continuidade da expansão. O Plano Nacional de Desenvolvimento do Cooperativismo estabelece metas de crescimento de participação no PIB e aumento do número de cooperados até 2030.

Especialistas indicam que o modelo ganha força em períodos de instabilidade econômica, pois distribui riscos e fortalece redes de apoio entre associados. O avanço tecnológico, com digitalização de serviços financeiros e plataformas de comercialização agrícola, também tende a ampliar eficiência das cooperativas.

O cooperativismo brasileiro já representa parcela relevante do Produto Interno Bruto em setores estratégicos. A tendência é de consolidação como instrumento econômico, financeiro e social.

Mais do que uma alternativa, o modelo se firmou como parte estrutural da economia brasileira.

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