O programa AgroEducativa apresentou uma reportagem especial no município de Santa Rita do Pardo para conhecer a Fazenda Santa Virgínia, a primeira propriedade rural do Brasil a produzir gado de corte com emissão zero de carbono.
Com área estimada em aproximadamente 30 mil hectares, a fazenda ganhou ampla visibilidade nacional e internacional a partir de 2020 ao consolidar um modelo inovador de pecuária sustentável. Localizada na região leste de Mato Grosso do Sul, a propriedade se tornou referência no agronegócio brasileiro quando o assunto é inovação aliada à responsabilidade ambiental.
Durante a reportagem, a jornalista Elaine Silva conversou com o consultor José Zacarin, que explicou como funciona o sistema produtivo adotado na fazenda.
Segundo ele, a propriedade trabalha com ciclo completo dentro de um sistema integrado, composto por 30% de áreas de floresta e 70% de pecuária. Esse arranjo permite conciliar produtividade e sustentabilidade. A presença das árvores melhora a qualidade do capim, reduz a troca excessiva de calor dos animais e contribui para maior ganho de peso, promovendo eficiência tanto na produção florestal quanto no bem-estar animal.
“O sistema integrado gera uma sinergia. Temos mais proteína no capim, menos estresse térmico e, consequentemente, melhor desempenho do rebanho”, destacou o consultor.
Eficiência produtiva e bem-estar animal
A fazenda também se destaca pela alta eficiência produtiva. O manejo prioriza desempenho zootécnico, bem-estar animal e qualidade da carne, fatores que agregam valor ao produto final e atendem às exigências dos mercados nacional e internacional.
Todos os animais são precoces. Os machos cruzamento Angus são terminados entre 13 e 17 meses, enquanto os da raça Nelore são finalizados entre 18 e 24 meses, também em sistema de terminação precoce. A presença de sombra nas áreas de manejo é estratégica para reduzir perdas energéticas e garantir maior conforto térmico.
Viveiro próprio e tecnologia florestal
Instalado dentro da própria fazenda, o viveiro produz milhões de mudas clonadas de eucalipto. O processo começa com a seleção criteriosa de matrizes no campo, que passam por testes destrutivos e não destrutivos para avaliar resistência mecânica e potencial de crescimento.
Após a escolha das melhores matrizes, inicia-se o processo de propagação. A tecnologia automatizada garante qualidade genética e adaptação das mudas às condições da região, assegurando alto desempenho no sistema integrado.
Sistema silvipastoril como estratégia sustentável
A adoção do sistema silvipastoril foi determinante para consolidar a estratégia sustentável da propriedade. Após anos de estudos e testes, definiu-se o espaçamento ideal: quatro linhas de eucalipto, com 3 metros por 1,90 metro entre árvores e 27 metros entre os renques.
O modelo foi escolhido por apresentar o melhor equilíbrio entre produtividade florestal e manutenção da taxa de lotação animal por hectare, sem comprometer a eficiência da pecuária.
Produção e preservação lado a lado
Reconhecida por unir alta produtividade e preservação ambiental, a Fazenda Santa Virgínia demonstra que é possível produzir carne de qualidade com responsabilidade climática. Para manter os resultados, a propriedade investe constantemente na qualificação da equipe e no cumprimento rigoroso das normas de segurança do trabalho.
O exemplo da fazenda em Santa Rita do Pardo reforça que inovação, tecnologia e gestão eficiente são caminhos viáveis para uma pecuária cada vez mais sustentável no Brasil.
Confira a reportagem com Elaine Silva:
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