A Coreia do Sul iniciou o processo definitivo para encerrar o mercado de carne de cachorro no país. A decisão deve levar ao fechamento completo da atividade até 2027 e pode salvar cerca de 80 mil cães por ano, segundo estimativas ligadas ao setor de proteção animal.
A medida foi aprovada pelo parlamento sul-coreano após anos de pressão pública, mudanças culturais e queda acelerada no consumo desse tipo de carne no país.
A legislação proíbe:
- criação de cães para consumo humano
- abate de cães para alimentação
- distribuição e comercialização da carne
A partir da entrada total em vigor da norma, produtores e comerciantes poderão enfrentar multas e penas de prisão. O governo estabeleceu período de transição para encerramento gradual das atividades.
Embora a prática tenha recebido atenção internacional durante décadas, o consumo de carne de cachorro já estava em forte declínio na Coreia do Sul. Pesquisas recentes mostram que a maior parte dos jovens sul-coreanos não consome esse tipo de alimento e considera cães principalmente como animais de companhia. O crescimento da classe média urbana e a mudança cultural aceleraram essa transformação.
Dados do governo sul-coreano indicam que a cadeia ligada ao setor ainda envolve:
- aproximadamente 1.500 criadores
- centenas de restaurantes
- distribuidores e comerciantes
O governo prometeu apoio financeiro e programas de transição para trabalhadores afetados. Organizações de proteção animal internacionais ampliaram campanhas contra o comércio de carne de cachorro nas últimas décadas. Eventos globais e redes sociais aumentaram pressão diplomática e exposição internacional do tema. Mesmo assim, especialistas ressaltam que a mudança ocorreu principalmente por transformação interna da sociedade sul-coreana.
A discussão gerou debate dentro da própria Coreia do Sul. Parte da população defendia a prática como tradição cultural histórica. Outros argumentavam que o hábito perdeu relevância e passou a gerar desgaste internacional para a imagem do país. Pesquisas recentes indicam que a maioria dos sul-coreanos hoje apoia a proibição.
Estimativas de organizações ligadas à proteção animal apontam que aproximadamente 80 mil cães deixam de ser abatidos anualmente com o fechamento gradual do mercado. O número varia conforme a fonte e o ritmo de encerramento das atividades.
A decisão sul-coreana reflete transformação mais ampla na forma como diferentes sociedades enxergam animais domésticos. Cães e gatos passaram a ocupar espaço cada vez mais afetivo dentro das famílias urbanas. O mercado pet sul-coreano cresceu fortemente nos últimos anos e movimenta bilhões de dólares.
O encerramento do mercado de carne de cachorro representa uma das maiores mudanças culturais recentes da Coreia do Sul. A transição ainda enfrenta desafios econômicos e resistência de parte do setor tradicional. Mesmo assim, a tendência parece irreversível. O país que durante décadas ficou associado internacionalmente a esse mercado agora tenta reposicionar sua imagem em meio às mudanças sociais e culturais das novas gerações.
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