Seis meses após a liquidação extrajudicial do Banco Master, aproximadamente 5 milhões de pessoas ainda não solicitaram o ressarcimento de valores garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.
Segundo dados divulgados nesta semana, cerca de R$ 2,2 bilhões continuam sem resgate pelos credores da instituição e de empresas ligadas ao grupo.
A liquidação do Banco Master foi determinada pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025 após a autoridade monetária identificar grave crise de liquidez na instituição. O caso se tornou um dos maiores episódios recentes de acionamento do FGC no sistema financeiro brasileiro.
Até agora, o Fundo Garantidor de Créditos informou ter pago quase R$ 40 bilhões em garantias para mais de 915 mil credores ligados ao Banco Master e instituições associadas ao grupo. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira, dentro das regras do sistema.
Grande parte das pessoas que ainda não pediram ressarcimento possui valores baixos a receber. Segundo o FGC, apenas clientes do Will Bank com menos de R$ 1 mil a receber somam cerca de 5 milhões de pessoas. Desse grupo, aproximadamente 89% possuem créditos inferiores a R$ 10.
O pedido pode ser feito pelo aplicativo do FGC. O processo exige cadastro com CPF, biometria facial e indicação de conta bancária para transferência. No caso de clientes do Will Bank com valores inferiores a R$ 1 mil, o procedimento ocorre diretamente pelo aplicativo da instituição.
O episódio reacendeu discussões sobre investimentos que prometem rentabilidade acima da média do mercado. Especialistas em finanças alertam que retornos excessivamente altos costumam envolver riscos maiores. O economista Mauro Rochlin, da Fundação Getulio Vargas, afirmou em entrevistas que investidores devem desconfiar de aplicações com ganhos muito acima do padrão do mercado.
O caso Banco Master gerou repercussão política, econômica e regulatória. Investigações passaram a analisar possíveis fraudes financeiras e atuação de órgãos reguladores. Especialistas avaliam que o episódio pode provocar mudanças futuras nas regras de supervisão bancária e governança de instituições financeiras de médio porte.
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