Terapias Alternativas

Cães ajudam pacientes a se recuperar mais rapidamente 

Terapia assistida por animais reduz ansiedade, melhora humor e pode até ajudar na recuperação física

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A cena costuma chamar atenção. Em meio a corredores, exames e tratamentos, um cão entra no quarto do hospital e transforma o ambiente. Sorrisos aparecem, conversas surgem e, por alguns minutos, a rotina hospitalar parece mais leve.

O que para muitos parece apenas um gesto de carinho é, na verdade, uma prática reconhecida por profissionais de saúde. A chamada Terapia Assistida por Animais vem ganhando espaço em hospitais brasileiros e internacionais devido aos benefícios físicos e emocionais observados em pacientes de diferentes idades.

A Terapia Assistida por Animais utiliza cães especialmente selecionados e treinados para interagir com pacientes em ambientes hospitalares. Os animais passam por avaliações comportamentais e veterinárias rigorosas. Eles precisam apresentar temperamento dócil, boa socialização e excelente estado de saúde. Durante as visitas, os cães são acompanhados por seus tutores e por equipes de saúde. As atividades podem incluir interação direta, brincadeiras, caminhadas supervisionadas e exercícios de estimulação emocional.

Diversos estudos científicos apontam que o contato com cães pode estimular a liberação de ocitocina, serotonina e endorfina, substâncias associadas ao bem-estar e à redução do estresse. Pesquisas também mostram diminuição de níveis de cortisol, hormônio ligado à ansiedade.

Na prática, pacientes frequentemente apresentam:

  • redução da ansiedade
  • melhora do humor
  • menor sensação de dor
  • diminuição do estresse
  • aumento da motivação para tratamento
  • maior interação social

Os resultados são especialmente visíveis em alas pediátricas. Crianças internadas frequentemente demonstram redução do medo de procedimentos médicos após interações com os animais. Especialistas relatam melhora na cooperação durante tratamentos e maior disposição para enfrentar longos períodos de hospitalização.

Pacientes idosos, especialmente aqueles com doenças neurológicas ou processos de reabilitação, também apresentam respostas positivas. Em alguns casos, o contato com cães ajuda a estimular memória, comunicação e engajamento social. Hospitais relatam melhora no estado emocional de pacientes com demência e doenças neurodegenerativas.

A terapia não substitui tratamentos médicos, mas pode atuar como complemento importante. Em programas de fisioterapia e reabilitação, os cães ajudam a estimular movimentos e exercícios que muitos pacientes relutam em realizar. O simples desejo de acariciar, caminhar ou brincar com o animal pode aumentar adesão ao tratamento.

A terapia com cães está presente em diversas instituições brasileiras. Hospitais como o Hospital Albert Einstein, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e o Instituto de Tratamento do Câncer Infantil já desenvolveram programas envolvendo animais em diferentes momentos. Outras unidades públicas e privadas também passaram a adotar iniciativas semelhantes nos últimos anos.

Mas os cuidados devem ser rigorosos, pois nem todos os pacientes podem participar. Pessoas com alergias graves, imunossupressão severa ou determinadas condições clínicas podem ter restrições. Por isso, cada visita segue protocolos de higiene, vacinação, controle veterinário e avaliação médica.

Estudos indicam que o contato com animais pode reduzir níveis de estresse entre profissionais de saúde. Médicos, enfermeiros e equipes multiprofissionais frequentemente relatam melhora do ambiente de trabalho durante ações envolvendo cães terapeutas.

A Terapia Assistida por Animais vem crescendo em diversos países. Universidades, hospitais e centros de pesquisa continuam estudando os efeitos dessa interação sobre saúde física e mental. O avanço das evidências científicas tem aumentado aceitação da prática dentro da medicina moderna.

A presença de cães nos hospitais deixou de ser vista apenas como ação recreativa. Hoje, especialistas reconhecem que esses animais podem contribuir para o bem-estar emocional, a adesão ao tratamento e a humanização do atendimento. Em um ambiente frequentemente associado à dor e à preocupação, a chegada de um cão não significa a cura de uma doença. Mas, para muitos pacientes, ela ajuda a recuperar algo igualmente importante: a vontade de seguir em frente.

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