Saúde Mental

 Maioria dos brasileiros trabalha em modo de sobrevivência

Pesquisa revela níveis elevados de tensão emocional e acende alerta para saúde mental no ambiente de trabalho

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A maioria dos trabalhadores brasileiros está enfrentando a rotina profissional em um estado de desgaste emocional preocupante. Um levantamento inédito realizado pela healthtech Starbem identificou que 72% da população economicamente ativa opera atualmente no chamado “modo de sobrevivência”, condição associada aos níveis mais altos de tensão aguda. Segundo o estudo, esses trabalhadores se encontram nos níveis 4 e 5 de uma escala que mede estresse, sobrecarga emocional e sensação de exaustão.

Especialistas em saúde mental explicam que o modo de sobrevivência ocorre quando a pessoa passa a concentrar sua energia apenas em lidar com demandas imediatas do dia a dia. Nesse estado, o cérebro prioriza a resolução de problemas urgentes e reduz recursos destinados ao planejamento, à criatividade, à reflexão e ao bem-estar. O resultado é uma sensação constante de pressão e cansaço.

Entre os sinais mais frequentes observados em pessoas que permanecem longos períodos nesse estado estão:

  • fadiga persistente;
  • dificuldade de concentração;
  • irritabilidade;
  • insônia;
  • sensação de sobrecarga;
  • perda de motivação;
  • ansiedade constante;
  • dificuldade para relaxar mesmo fora do trabalho.

Especialistas alertam que o problema não se resume ao desconforto emocional. O estresse crônico pode afetar o sistema imunológico, aumentar o risco de doenças cardiovasculares e favorecer o surgimento de transtornos mentais.

A pesquisa reflete transformações profundas ocorridas no mercado nos últimos anos. A hiperconectividade, as notificações constantes, a pressão por produtividade e a dificuldade de separar vida pessoal e profissional ampliaram a sensação de disponibilidade permanente. Muitos trabalhadores permanecem conectados ao trabalho mesmo fora do expediente.

O estudo também reforça preocupações relacionadas à síndrome de burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional. O burnout é caracterizado por exaustão extrema, distanciamento emocional do trabalho e redução do desempenho profissional.

Pesquisas sobre saúde mental corporativa mostram que profissionais em início de carreira e pessoas em cargos de liderança frequentemente figuram entre os grupos mais vulneráveis. Os primeiros enfrentam insegurança profissional e pressão por resultados. Já os gestores acumulam responsabilidades, cobranças e tomada constante de decisões.

Nos últimos anos, programas de bem-estar corporativo ganharam espaço em organizações de diferentes setores. Iniciativas envolvendo apoio psicológico, flexibilização de jornadas, incentivo ao descanso e promoção de ambientes mais saudáveis têm se tornado mais comuns. Especialistas, porém, afirmam que ações isoladas não resolvem o problema se a cultura organizacional continuar baseada em sobrecarga permanente.

Profissionais de saúde mental recomendam algumas medidas para reduzir os efeitos da tensão contínua:

  • estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal;
  • respeitar horários de descanso;
  • praticar atividade física regularmente;
  • manter rotina adequada de sono;
  • buscar apoio psicológico quando necessário;
  • reservar momentos de lazer e convivência social.

 

O levantamento da Starbem sugere que o estresse deixou de ser uma condição pontual para se tornar parte da rotina de grande parcela dos trabalhadores brasileiros. Especialistas alertam que permanecer por longos períodos em modo de sobrevivência pode comprometer não apenas a produtividade, mas também a saúde física, emocional e os relacionamentos.

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