O reajuste das tarifas de energia elétrica voltou a preocupar o agronegócio de Mato Grosso do Sul. A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou um reajuste tarifário médio de 12,11% para os consumidores atendidos pela Energisa Mato Grosso do Sul. O aumento impacta diretamente um dos principais insumos utilizados pelo setor rural e deve elevar os custos de produção em diversas cadeias do agro.
Embora a eletricidade represente apenas uma parte dos custos de produção, ela é indispensável em praticamente todas as etapas da atividade rural, da irrigação das lavouras ao resfriamento do leite, passando pela armazenagem de grãos, criação de aves e suínos e funcionamento das agroindústrias.
O impacto varia conforme a atividade. Na agricultura irrigada, por exemplo, a energia é um dos principais custos operacionais, já que bombas elétricas funcionam durante várias horas por dia. Em períodos de estiagem, quando a irrigação é intensificada, o peso da conta de luz aumenta ainda mais.
Na pecuária leiteira, a eletricidade é essencial para o funcionamento das ordenhadeiras, tanques de refrigeração e sistemas de climatização dos animais. Já nas granjas de aves e suínos, a energia mantém ventiladores, aquecedores, iluminação e equipamentos automáticos que garantem o bem-estar dos animais e a produtividade.
O aumento das tarifas também pesa sobre os silos e armazéns, onde sistemas de secagem, ventilação e conservação dos grãos funcionam continuamente para evitar perdas na produção.
Segundo especialistas, como a energia está presente em praticamente toda a cadeia produtiva, seu encarecimento acaba elevando também os custos da indústria de alimentos, do transporte e da distribuição. Parte desse aumento pode chegar ao consumidor final na forma de alimentos mais caros.
Outro efeito é a redução da competitividade do agronegócio, especialmente para produtores que disputam mercados nacionais e internacionais. Com custos maiores, a margem de lucro diminui e a capacidade de investimento em tecnologia, inovação e expansão também pode ser afetada.
Para reduzir essa dependência, cresce o número de produtores que investem em geração própria de energia, principalmente por meio de sistemas solares fotovoltaicos. Mato Grosso do Sul está entre os estados que mais ampliaram a geração distribuída nos últimos anos, especialmente em propriedades rurais, permitindo reduzir despesas com eletricidade e aumentar a previsibilidade dos custos.
Outra alternativa é o uso de biodigestores, que transformam resíduos da produção animal em biogás para geração de eletricidade, além de programas de eficiência energética que substituem equipamentos antigos por modelos mais econômicos.
Especialistas avaliam que essas soluções ajudam a reduzir os impactos dos reajustes tarifários, mas exigem investimentos iniciais que ainda não estão ao alcance de todos os produtores.
Com o reajuste médio de 12,11% aprovado para a área de concessão da Energisa MS, a expectativa é de que produtores rurais reforcem o planejamento dos custos e busquem alternativas para aumentar a eficiência energética. Afinal, sempre que a conta de luz sobe, os efeitos acabam se espalhando por toda a cadeia do agronegócio, influenciando a produção, a competitividade e, em muitos casos, o preço dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.
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