A Copa do Mundo passou por Campo Grande em 2014, mas parte dos benefícios associados ao maior evento do futebol mundial só chegou ao Estado 12 anos depois. No início de setembro, a Capital inaugurou o Centro de Desenvolvimento do Futebol, estrutura viabilizada com recursos do fundo de legado da Copa e voltada à formação de atletas e ao fortalecimento da modalidade em Mato Grosso do Sul.
O complexo é o primeiro do tipo na região Centro-Oeste e foi projetado para receber competições, treinamentos e atividades de formação. A estrutura conta com campo de dimensões oficiais, de 105 metros de comprimento por 68 metros de largura, além de arquibancada, vestiários, área administrativa, espaço médico, estacionamento e iluminação para partidas noturnas.
Mais do que oferecer um novo espaço para a prática esportiva, o centro chega com a proposta de contribuir para o desenvolvimento do futebol no Estado. A expectativa é que o local seja utilizado por atletas de diferentes categorias e também por profissionais envolvidos na preparação e na organização da modalidade.
Futebol feminino entre as prioridades
Um dos segmentos que podem se beneficiar da nova estrutura é o futebol feminino. Com o Brasil se preparando para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027, a ampliação das condições de treinamento e competição ganha importância para o desenvolvimento da modalidade.
O centro poderá contribuir para a preparação de equipes, a realização de competições e a formação de meninas que estão começando no futebol. A estrutura também representa uma oportunidade para fortalecer o trabalho de clubes e projetos esportivos que buscam ampliar a participação feminina no esporte.
Durante a inauguração, representantes do futebol brasileiro destacaram a importância de espaços adequados para incentivar novos talentos e ampliar as oportunidades para crianças e adolescentes.
O coordenador das seleções de base da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ao lado dos tetracampeões mundiais Branco e Ronaldão, participou das atividades de inauguração e ressaltou o potencial do complexo para o desenvolvimento de futuros atletas.
A presença de crianças no local também foi apontada como um dos aspectos importantes do projeto. A avaliação é de que estruturas como essa podem ajudar a renovar o futebol brasileiro, oferecendo melhores condições para que meninos e meninas pratiquem a modalidade, independentemente da região do país.
Desafio de fortalecer o futebol sul-mato-grossense
A inauguração ocorre em um cenário de desafios para o futebol profissional de Mato Grosso do Sul. O Estado ocupa a 26ª colocação no ranking nacional de federações da CBF, com 150 pontos, segundo os dados apresentados. O ranking considera o desempenho dos clubes em competições nacionais.
A última participação de equipes sul-mato-grossenses na primeira divisão do Campeonato Brasileiro ocorreu em 1986, quando Operário e Comercial representaram o Estado na elite do futebol nacional.
Nesse contexto, o novo centro surge como uma ferramenta que poderá contribuir para o fortalecimento das categorias de base, do futebol feminino e da formação de profissionais. Além das atividades voltadas aos atletas, o espaço deverá receber ações de capacitação para árbitros, treinadores e outros profissionais do esporte.
A proposta é aproximar diferentes áreas do futebol em um mesmo complexo e criar condições para o desenvolvimento de novos projetos e talentos.
Um novo capítulo para o legado da Copa
O legado da Copa do Mundo de 2014 levou mais de uma década para se concretizar em uma estrutura desse tipo em Mato Grosso do Sul. Agora, com o centro em funcionamento, começa uma nova etapa: transformar o investimento em oportunidades concretas para atletas, equipes e profissionais.
O impacto do complexo dependerá da continuidade das atividades, do acesso dos diferentes públicos e da capacidade de integrar formação esportiva, competições e qualificação profissional.
Depois da inauguração, o desafio passa a ser fazer do novo espaço mais do que um campo de futebol: um ambiente permanente de desenvolvimento para a modalidade em Mato Grosso do Sul.
Confira a reportagem com Ricardo Paredes:
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