O Brasil deu um passo importante na estratégia de prevenção contra a dengue com a aprovação da primeira vacina em dose única destinada à população adulta. A autorização foi concedida pela Anvisa e permite o uso do imunizante desenvolvido pelo laboratório japonês Takeda, já adotado em outros países da Ásia e da Europa. A aplicação em dose única deve facilitar a cobertura vacinal, reduzir custos e simplificar o esquema de proteção em regiões com alta circulação do vírus.
A repórter Neli Terra tem mais informações. OUÇA:
A chegada de uma vacina de dose única é considerada um marco para o país, que há anos enfrenta ciclos de epidemias. A dengue continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública do país. Somente em 2024 foram registrados mais de 5 milhões de casos prováveis e mais de 3 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde. Com a nova vacina, a expectativa é ampliar o número de pessoas protegidas, especialmente em municípios com surtos recorrentes.
A vacina aprovada atua contra os quatro sorotipos do vírus e tem eficácia global estimada em cerca de 80 por cento para prevenção de casos sintomáticos, segundo estudos internacionais. Em infecções que evoluem para formas graves, a proteção pode ultrapassar 90 por cento. Por ser de dose única, o imunizante oferece vantagem prática em comparação à vacina já disponível na rede privada e parcialmente no SUS, que exige duas aplicações com intervalo de três meses.
A Anvisa informou que a aprovação seguiu critérios rigorosos de segurança, eficácia e qualidade, levando em conta dados clínicos de mais de 20 mil voluntários acompanhados por mais de quatro anos. A vacina é indicada para adultos entre 18 e 60 anos, incluindo pessoas que nunca tiveram dengue. A definição sobre quando o imunizante entrará no SUS dependerá de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias, que avalia custo, logística e impacto epidemiológico.
Estados e municípios que enfrentam aumento de casos veem a medida como uma oportunidade para reduzir internações e aliviar a pressão sobre as redes de saúde. Especialistas também destacam que a nova vacina pode se somar às ações de controle do mosquito Aedes aegypti, que continuam sendo essenciais para evitar surtos.
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