Saúde

Brasil elimina transmissão de HIV de mãe para filho

Maior país das Américas atinge cobertura superior a 95 por cento e recebe certificação da OPAS/OMS

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O Brasil recebeu no dia 18 de dezembro de 2025, a certificação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) por eliminar a transmissão vertical do HIV, isto é, a transmissão do vírus da mãe para o bebê durante a gestação, no parto ou na amamentação. Com isso, o país se torna o maior e mais populoso do mundo a alcançar esse marco de saúde pública. 

O reconhecimento oficial veio após análise detalhada dos dados brasileiros que demonstraram que a taxa de transmissão vertical foi mantida consistentemente abaixo de 2 por cento, critério exigido pela OMS para considerar a transmissão eliminada como problema de saúde pública. Além disso, o Brasil alcançou cobertura superior a 95 por cento em atenção pré-natal, testagem rotineira para HIV durante a gestação e acesso ao tratamento antirretroviral para gestantes vivendo com o vírus. 

A conquista reflete décadas de políticas públicas, acesso universal aos serviços de saúde e forte atuação do Sistema Único de Saúde (SUS). O fortalecimento da atenção primária à saúde, com testagem precoce e ligação rápida ao tratamento, permitiu que gestantes tivessem acompanhamento contínuo e seguro durante toda a gravidez, parto e pós-parto. 

Especialistas destacam que essa eliminação não significa que o HIV desapareceu, mas que a transmissão vertical deixou de ser um problema de saúde pública quando há acesso adequado ao diagnóstico e ao tratamento. Este cenário foi possível graças à combinação de testagem regular, tratamento oportuno, atendimento materno-infantil de qualidade e esforços contínuos de vigilância em saúde. 

O processo para obter a certificação começou em junho de 2025, quando o Brasil entregou à OPAS/OMS um relatório técnico demonstrando avanços consistentes na redução da transmissão vertical e no fortalecimento dos serviços de saúde materna e infantil. 

A conquista foi destacada em cerimônia oficial em Brasília, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde Alexandre Padilha e do diretor da OPAS, Jarbas Barbosa. Autoridades e organizações internacionais enfatizaram o papel do SUS e de profissionais de saúde na conquista, além do compromisso com os direitos humanos e a equidade no acesso a serviços de saúde. 

A eliminação vertical do HIV faz parte de uma iniciativa global que busca reduzir as infecções pediátricas e garantir que todas as crianças possam nascer livres do vírus. Nos últimos dez anos, mais de 50 mil infecções infantis por HIV foram evitadas na Região das Américas graças aos esforços combinados de prevenção e tratamento. 

A certificação brasileira também reforça o papel do país na luta contra a epidemia do HIV e na promoção da saúde materno-infantil, alinhando-se com as metas de saúde global da OMS e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. 

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