O Sistema Único de Saúde passará a oferecer transplante de membranas biológicas para tratamento de feridas graves em pacientes diabéticos. A incorporação da tecnologia representa avanço importante no tratamento de lesões crônicas e pode ajudar a reduzir amputações no país.
A repórter Neli Terra tem amis informações. OUÇA:
A medida foi aprovada após avaliação técnica de órgãos ligados ao Ministério da Saúde e amplia o acesso a tratamentos regenerativos antes disponíveis de forma limitada. O diabetes afeta cerca de 20 milhões de brasileiros, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Entre as complicações mais comuns está o chamado pé diabético, condição que provoca feridas de difícil cicatrização. Problemas circulatórios e danos nos nervos dificultam a recuperação dos tecidos e aumentam o risco de infecções graves.
O impacto é significativo no sistema de saúde. Dados do Ministério da Saúde mostram que o país registra dezenas de milhares de amputações relacionadas ao diabetes todos os anos. Especialistas afirmam que boa parte desses casos poderia ser evitada com diagnóstico precoce e tratamentos mais modernos.
A técnica utiliza membranas biológicas aplicadas diretamente sobre a ferida. Esses materiais funcionam como cobertura protetora e ajudam na regeneração do tecido lesionado.As membranas estimulam cicatrização, reduzem inflamação e favorecem crescimento celular. O procedimento já vinha sendo utilizado em alguns hospitais e centros especializados.
Pesquisas mostram que o uso das membranas reduz tempo de cicatrização em comparação com tratamentos convencionais. A tecnologia também pode diminuir infecções e necessidade de amputações. Outro benefício está na redução do tempo de internação hospitalar.
A incorporação faz parte de um movimento maior de modernização do sistema público de saúde. Nos últimos anos, o SUS passou a adotar novas terapias biológicas e técnicas regenerativas em áreas específicas.
Para os especialistas, a medida é relevante porque amplia o acesso para pacientes de baixa renda.
Apesar do avanço, os médicos alertam que a tecnologia não substitui os cuidados básicos. Controle glicêmico, higiene adequada e acompanhamento médico continuam fundamentais. Sem controle do diabetes, as lesões podem voltar a aparecer.
O aumento de casos de diabetes acompanha as mudanças no perfil da população brasileira. O envelhecimento, a obesidade e o sedentarismo elevaram a incidência da doença nas últimas décadas. A Federação Internacional de Diabetes estima que o número de pacientes continuará crescendo no mundo.
A chegada do transplante de membranas ao SUS pode transformar o tratamento de feridas crônicas no Brasil. Especialistas avaliam que a tecnologia tem potencial para reduzir amputações, melhorar qualidade de vida e diminuir custos hospitalares no longo prazo.
O desafio agora será ampliar estrutura, treinamento e acesso ao tratamento em todo o país. O avanço mostra como terapias regenerativas começam a sair dos centros experimentais e chegar à rede pública de saúde.
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