Saúde

Cães podem ajudar a identificar câncer e outras doenças

Capacidade olfativa dos animais impressiona cientistas e pode abrir caminho para novos métodos de diagnóstico

Compartilhar
Compartilhar

O olfato dos cães é tão poderoso que consegue detectar substâncias em concentrações praticamente imperceptíveis para os seres humanos. Essa habilidade, já utilizada em operações policiais, resgates e identificação de explosivos, também está chamando a atenção da ciência.

Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, estudam o potencial dos cães para identificar doenças como o câncer por meio da análise de odores produzidos pelo organismo humano. A pesquisa faz parte de uma linha científica que vem crescendo em diversos países e busca transformar a extraordinária capacidade olfativa dos cães em uma ferramenta complementar para o diagnóstico médico.

O corpo humano libera milhares de compostos químicos voláteis por meio da respiração, suor, urina e outros fluidos corporais. Quando uma doença se desenvolve, o metabolismo do organismo pode sofrer alterações que modificam esse conjunto de substâncias. Os cães conseguem perceber essas mudanças graças a um sistema olfativo extremamente sofisticado. Enquanto os seres humanos possuem cerca de 6 milhões de receptores olfativos, os cães podem ter mais de 200 milhões, dependendo da raça.

Estudos internacionais já demonstraram resultados promissores na identificação de diferentes tipos de câncer.

Pesquisas relatam capacidade de detecção em casos de:

  • câncer de pulmão;
  • câncer de mama;
  • câncer de próstata;
  • câncer colorretal;
  • câncer de ovário.

Em alguns experimentos, os índices de acerto alcançaram níveis comparáveis aos de exames laboratoriais iniciais.

A ciência também investiga a utilização dos cães para identificar outras condições médicas. Há pesquisas envolvendo: diabetes, doença de Parkinson, Covid-19, epilepsia e infecções bacterianas. Em determinados casos, os animais conseguem perceber alterações antes mesmo do surgimento dos sintomas mais evidentes.

O trabalho desenvolvido pela UFES procura entender quais marcadores olfativos são identificados pelos cães e como essa capacidade pode ser utilizada de forma segura e padronizada. O objetivo não é substituir exames médicos, mas criar ferramentas complementares que possam auxiliar no rastreamento precoce de doenças.

Especialistas lembram que a detecção precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de sucesso no tratamento do câncer. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, muitos tumores apresentam taxas de cura significativamente maiores quando descobertos em fases iniciais. Por isso, pesquisadores buscam constantemente novas tecnologias que permitam identificar a doença antes do aparecimento de sintomas graves.

Além do uso direto dos animais, as pesquisas ajudam no desenvolvimento de equipamentos eletrônicos conhecidos como “narizes eletrônicos”. Esses dispositivos tentam reproduzir artificialmente a capacidade dos cães de detectar compostos químicos associados a determinadas doenças.

Apesar dos resultados promissores, ainda existem muitos desafios. Os cientistas alertam que ainda são necessários estudos adicionais para validar os métodos em larga escala. Questões como treinamento, padronização e reprodutibilidade dos resultados precisam ser resolvidas antes de qualquer aplicação clínica ampla.

As pesquisas conduzidas pela UFES reforçam uma tendência crescente da medicina moderna: buscar novas formas de diagnóstico precoce por meio da tecnologia e da biologia. Embora ainda não substituam exames tradicionais, os cães vêm demonstrando que podem se tornar aliados valiosos da ciência. E talvez uma das ferramentas mais avançadas para detectar doenças esteja justamente em algo que os cães utilizam há milhares de anos: o próprio nariz.

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados
Saúde

Bactéria modificada pode ajudar a combater tumores de dentro para fora

Uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Waterloo está investigando uma...

Mulher de meia-idade com cabelos grisalhos e brancos, demonstrando o envelhecimento capilar.
Saúde

O que acontece com os cabelos à medida que envelhecemos

Os cabelos estão entre as partes do corpo que mais revelam a...

Profissional de saúde aplica vacina contra dengue em adolescente em Campo Grande.
Saúde

Vacina da dengue segue disponível e segura em Campo Grande, apesar de suspensão de imunizante em teste

A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan,...

Gráfico mostrando o aumento do número de fumantes no Brasil e alerta para a saúde pública.
Saúde

Número de fumantes volta a crescer no Brasil e acende alerta para a saúde pública

Depois de décadas de redução contínua, o número de fumantes voltou a...