Cinco anos depois do início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, a doença deixou de ocupar o centro do noticiário, mas segue presente no sistema de saúde. Em 2025, o coronavírus provocou mortes e internações, em níveis bem mais baixos do que no auge da pandemia, porém suficientes para manter o alerta entre autoridades sanitárias.
Dados do Ministério da Saúde mostram que menos de 40 em cada 100 doses de vacina contra a covid distribuídas ao longo de 2025 foram efetivamente aplicadas. Em números absolutos, isso significa milhões de vacinas disponíveis que não chegaram ao braço da população, principalmente nos grupos que deveriam manter reforços regulares.
Hoje, a covid divide espaço com outros vírus respiratórios, como influenza, vírus sincicial respiratório e rinovírus. Em muitos estados, esses agentes se alternam como principais causas de síndrome respiratória aguda grave ao longo do ano, com picos mais intensos no outono e no inverno. Mesmo assim, a covid ainda responde por parcela relevante das internações em unidades de terapia intensiva entre idosos e pessoas com doenças crônicas.
Especialistas apontam vários fatores para a queda na procura pela vacina. O principal é a chamada “fadiga pandêmica”. Com menos casos graves e menor percepção de risco, parte da população passou a enxergar a vacinação como algo opcional. Também pesam a desinformação, dúvidas sobre a necessidade de reforços anuais e falhas na comunicação pública, que perdeu intensidade depois do fim da emergência sanitária.
Os dados mostram que os grupos mais ausentes da vacinação são adultos entre 30 e 59 anos, além de parte dos idosos que não retornam para doses de reforço. Em crianças pequenas, a cobertura também ficou abaixo do esperado em várias regiões, reflexo da hesitação vacinal que cresceu no país nos últimos anos.
Os riscos, no entanto, permanecem ativos. A covid segue associada a agravamento de doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas. Estudos recentes indicam que a infecção ainda pode gerar efeitos prolongados, a chamada covid longa, com impacto sobre capacidade de trabalho e qualidade de vida. Além disso, a circulação contínua do vírus mantém aberta a possibilidade de surgimento de novas variantes.
O Ministério da Saúde pretende retomar campanhas mais focadas esse ano, integrando a vacina da covid ao calendário regular de imunização para grupos prioritários, de forma semelhante ao que já ocorre com a gripe. A estratégia inclui ampliar a comunicação sobre a importância dos reforços, facilitar o acesso nos postos e usar dados regionais para direcionar ações onde a cobertura está mais baixa.
Especialistas defendem que o maior desafio não é tecnológico, mas comportamental. A vacina segue eficaz para reduzir internações e mortes, mas só cumpre esse papel quando chega à população. Reverter a queda na adesão será decisivo para evitar que a covid volte a pressionar hospitais, especialmente em um país que convive com múltiplos vírus respiratórios ao mesmo tempo.
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