A Semana Santa costuma mudar o cardápio do país. O setor estima alta de cerca de 30% no consumo de pescados no período, com aumento de compras em supermercados, feiras e peixarias.
Esse pico de demanda concentra a atenção em duas frentes. A primeira é o preço, com pressão maior em espécies importadas e em itens que dependem de logística refrigerada. A segunda é a oferta, com a piscicultura brasileira mais preparada para atender parte do salto, sobretudo com tilápia.
Os mais procurados
Na Semana Santa, o “top 3” do imaginário do brasileiro costuma juntar bacalhau, sardinha e atum, com variação regional. Tilápia e pescadas também ganham espaço por disponibilidade e preço mais previsível, além de salmão para faixas de renda mais altas.
Levantamentos de Procons em capitais e estados mostram o bacalhau entre os itens mais caros e com grande diferença de preço entre lojas. Em Pernambuco, por exemplo, o Procon registrou bacalhau saithe com ampla variação por quilo em pesquisa para o período. Em Santa Catarina, o Procon também apontou diferenças relevantes de preço entre fornecedores, um sinal clássico de mercado aquecido.
A tilápia funciona como termômetro porque tem indicador semanal ao produtor. No polo de “Grandes Lagos”, o preço do quilo pago ao produtor passou de R$ 7,27 no fim de janeiro de 2025 para R$ 9,51 no fim de janeiro de 2026, uma alta de cerca de 31%.
Na baixa de consumo, os valores tendem a aliviar. Em julho de 2025, por exemplo, o indicador marcou R$ 7,20 no Oeste do Paraná. O varejo nem sempre repassa na mesma velocidade, mas o padrão aparece todo ano: demanda forte encurta promoções e amplia variações entre pontos de venda.
Produção em cativeiro sustenta o mercado interno
A piscicultura virou o motor mais previsível de oferta. Em 2024, a tilápia manteve a liderança do cultivo no país, com 662.230 toneladas, e respondeu por cerca de 68% do total de peixes de cultivo.
Esse avanço ajuda a reduzir a dependência de espécies de captura em certos períodos, mas não resolve tudo. Bacalhau e parte do salmão continuam ligados ao comércio exterior.
Sai tilápia, entra salmão
Nas exportações, a tilápia segue como carro-chefe. No 1º trimestre de 2025, o setor exportou mais de 3.455 toneladas da espécie e registrou forte alta em valor, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura.
Nas importações, o salmão domina. No 1º trimestre de 2025, o Brasil importou 45,6 mil toneladas de peixes de cultivo, e o salmão representou cerca de 69% do volume. Em 2024, o país fechou o ano com importação recorde de mais de 120 mil toneladas de salmão, quase todo vindo do Chile, segundo dados do Siscomex compilados por painel setorial.
O que muda para o consumidor
A Semana Santa aumenta a chance de pagar caro por falta de comparação. Pesquisas oficiais de preço mostram que a diferença entre lojas costuma ser grande. Para quem quer equilibrar custo e qualidade, a dica é optar por espécies de cultivo com oferta constante, como tilápia, que costumam dar menos susto do que pescados importados e itens mais disputados.
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