Data nacional de combate às drogas e ao alcoolismo evidencia riscos e acende sinal vermelho para o consumo cada vez mais precoce
Neste 20 de fevereiro, Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, Mato Grosso do Sul tem motivos concretos para refletir. O Estado, que é uma das principais portas de entrada do tráfico internacional, fechou o ano passado com 196,5 toneladas de drogas apreendidas, segundo levantamento divulgado pelo DOF (Departamento de Operações de Fronteira) em dezembro, a segunda maior marca histórica desde a criação da unidade.
O volume superou o registrado em 2021 e representou um aumento superior a 30% em comparação com 2024, quando 150 toneladas foram retiradas de circulação. Mas, para além dos números, especialistas alertam: o impacto das drogas não termina na apreensão, ele chega às famílias, às escolas e aos consultórios.
“O enfrentamento às drogas não é apenas uma questão de segurança pública. É, sobretudo, um desafio de saúde mental. Toda substância psicoativa altera o funcionamento do cérebro e pode levar à dependência química”, explica o especialista em saúde mental, o psiquiatra Dr. Eduardo Araújo.
Segundo o médico, drogas lícitas ou ilícitas atuam diretamente nos neurotransmissores e no sistema de recompensa cerebral. Com o uso repetido, o cérebro passa a associar a substância à sensação de prazer ou alívio, criando um ciclo de necessidade crescente.
Entre as principais classes associadas ao desenvolvimento de transtornos mentais estão o uso abusivo de álcool e maconha; estimulantes, como cocaína, crack e anfetaminas; e substâncias que alteram a percepção, como LSD e ecstasy.
“O uso abusivo pode provocar desde irritabilidade e ansiedade até quadros graves, como depressão profunda e transtornos psicóticos. Em alguns casos, pode haver perda de contato com a realidade”, detalha o médico.
O especialista destaca que os sinais de alerta incluem compulsão pelo consumo, necessidade de doses cada vez maiores (tolerância), sintomas físicos e emocionais na ausência da substância (abstinência), mudanças bruscas de humor, alterações no sono e dificuldade de concentração. Entre os transtornos associados estão depressão, ansiedade, transtorno bipolar e quadros psicóticos.
O tratamento, segundo o psiquiatra, deve ser multiprofissional e individualizado, podendo incluir medicação para controle da abstinência, acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia.
Álcool: o risco invisível e cada vez mais precoce
Embora seja legalizado, o álcool está entre as substâncias que mais causam dependência e danos à saúde mental. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados no ano passado, mostram aumento no consumo entre adolescentes de 14 a 17 anos.
O levantamento também revela uma mudança no perfil: 29,5% das meninas já consumiram bebida alcoólica ao menos uma vez na vida, contra 25,8% dos meninos. Atualmente, um em cada nove jovens brasileiros apresenta critérios para transtorno por uso de álcool.
“A adolescência é uma fase de intensa transformação. O jovem busca pertencimento e aceitação social. Muitas vezes, encontra na bebida uma forma de se integrar”, explica Eduardo Araújo. “O problema é que o cérebro ainda está em desenvolvimento. O álcool pode causar alterações duradouras no comportamento e aumentar significativamente o risco de dependência na vida adulta.”
O médico enfatiza que não existe dose segura de álcool em qualquer idade e que o fato de ser socialmente aceito faz com que o perigo seja subestimado. O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo é mais do que uma data simbólica: é um chamado à prevenção, ao diálogo e à responsabilidade coletiva.
“Proibir sem conversar não resolve. O adolescente precisa compreender os riscos reais. Família e escola são fundamentais nesse processo”, orienta Dr. Eduardo.
Créditos: Assessoria de Comunicação
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