Nacional - economia

Queda do dólar impulsiona compras de brasileiros no Paraguai

Turismo de compras e câmbio favorável aumentam fluxo em fronteiras e movimentam bilhões de dólares

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A desvalorização do dólar americano nos últimos meses tem estimulado brasileiros a cruzarem a fronteira com o Paraguai para fazer compras em cidades como Pedro Juan Caballero, Ciudad del Este e Salto del Guairá. A combinação de real mais forte e preços competitivos em eletrônicos, perfumes, cosméticos e outras categorias eleva a procura por produtos no país vizinho, especialmente em feriados e finais de semana.

A queda do dólar torna os preços mais atraentes para quem paga em reais. Consumidores relatam que os valores em lojas paraguaias estão mais vantajosos agora do que em períodos anteriores, quando o câmbio estava mais alto, incentivando a ida às fronteiras do Brasil para compras presenciais.

Os resultados comerciais consolidados em 2025 mostram um volume movimentado de mais de US$ 3,15 bilhões nas principais cidades de fronteira paraguaias com o Brasil, um aumento de 11,3% em relação a 2024, segundo dados do Departamento de Estudos Econômicos do Banco Central do Paraguai. Ciudad del Este liderou o crescimento, impulsionada por promoções e pelo regime turístico que atrai compradores estrangeiros.

Eletrônicos continuam no topo da lista. Telefones celulares, computadores, acessórios tecnológicos e artigos de áudio estão entre os itens mais comprados por visitantes brasileiros em lojas do Paraguai. Perfumes, cosméticos e bebidas também figuram entre as categorias com maior saída nas vitrines fronteiriças, segundo comerciantes locais.

O aumento recente ocorre após um período de recuperação do comércio após o impacto da pandemia de COVID-19. Nos últimos anos, o varejo de fronteira teve oscilações ligadas tanto a restrições sanitárias quanto a variações cambiais. Com o real mais valorizado frente ao dólar e ao guarani nos últimos meses, a tendência é de fluxo de compradores mais intenso do que nos últimos anos.  

O Regime Turístico Paraguaio continua sendo um incentivador importante. Ele permite que estrangeiros comprem mercadorias com isenção ou redução de impostos em determinadas faixas de valor, estimulando turismo de compras e estreitando a relação econômica entre o Paraguai e países vizinhos.

Comerciantes paraguaios também relatam que a presença de brasileiros nas lojas ajuda a dinamizar a economia local e gerar renda e empregos nos setores de varejo e serviços. A movimentação nas pontes de fronteira aquece, ainda, segmentos como transporte, alimentação e hospedagem nas cidades de fronteira.

O fenômeno mostra como pequenos movimentos cambiais, como a queda do dólar, podem influenciar decisões de consumo dos brasileiros e impulsionar fluxos de comércio informal e formal entre países vizinhos. Esse fluxo comercial tende a continuar enquanto o real permanecer competitivo frente às moedas estrangeiras, fazendo da fronteira um destino constante de compras e turismo econômico. 

Reflexos na economia local do Brasil

O aumento das compras de brasileiros no Paraguai tem impacto direto também na economia dos municípios fronteiriços e do comércio local brasileiro. Cidades como Ponta Porã (MS), Foz do Iguaçu (PR), Guaíra (PR) e outras ao longo da fronteira registram maior movimentação nos setores de serviços, transporte, hotelaria e alimentação, impulsionada pela circulação de compradores que chegam para buscar preços mais competitivos.

E o reflexo econômico no Brasil vai além das compras diretas no Paraguai. Hotéis próximos à fronteira costumam apresentar ocupação elevada em feriados e datas comemorativas, com brasileiros estendendo a estadia para aproveitar as lojas e depois consumir no lado brasileiro. Restaurantes, postos de combustível e serviços de transporte registram aumento de demanda em períodos de pico de travessias.

Esse movimento cria receita nas economias locais e beneficia pequenos negócios que oferecem alimentação, hospedagem e serviços de apoio ao turismo de compras. Economistas regionais destacam que o turismo de compras “dilata o gasto médio”: o dinheiro gasto em alimentos e hospedagem no Brasil muitas vezes vai para negócios locais que se beneficiam da circulação na fronteira.

Por outro lado, segmentos do varejo tradicional brasileiro enfrentam maior concorrência devido aos preços mais baixos dos produtos no Paraguai, especialmente eletrônicos, perfumes e cosméticos. A dinâmica reflete não apenas diferenças de preço, mas também uma relação complexa entre fronteira e consumo: enquanto os brasileiros buscam vantagens cambiais e tributárias no Paraguai, a circulação intensa também injeta recursos nas economias dos municípios de fronteira, criando um ciclo de consumo binacional.

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