Energia

Bioenergia coloca MS no mapa global da transição energética

Avanço do etanol de milho transforma o estado em peça estratégica na corrida por energia limpa

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A transição energética global deixou de ser uma tendência e passou a ser uma corrida. E, nesse cenário, Mato Grosso do Sul começa a ocupar uma posição estratégica.

O avanço do etanol de milho reposiciona o estado dentro do mapa energético brasileiro. Mais do que uma alternativa à cana, o modelo amplia a capacidade de produção e reduz a dependência de safras específicas.

Os números ajudam a explicar o movimento. O Brasil deve produzir cerca de 9,6 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2025/26, com crescimento acelerado. Quase toda essa produção está concentrada no Centro-Oeste, região que reúne disponibilidade de grãos, escala agrícola e logística integrada.

Em Mato Grosso do Sul, o milho já responde por 25,9% da produção de etanol, com previsão de chegar a 44,3% nos próximos anos. Na prática, isso significa uma mudança estrutural na matriz produtiva do estado.

Além disso, há novos projetos em andamento. Uma única usina em implantação em Mato Grosso do Sul, por exemplo, prevê investimento próximo de R$ 900 milhões, com capacidade de produzir cerca de 440 milhões de litros de etanol por ano.   

O diferencial está no modelo industrial. Usinas flex operam durante todo o ano, combinando milho e cana. Isso reduz a ociosidade, melhora a eficiência e aumenta a previsibilidade da produção, um fator crítico em um mercado global cada vez mais volátil.

Esse movimento dialoga diretamente com pressões internacionais. Países e empresas buscam reduzir emissões e diversificar fontes de energia. Biocombustíveis ganham espaço como solução de curto e médio prazo, especialmente em setores onde a eletrificação ainda enfrenta limitações.

Ao mesmo tempo, a geopolítica dos insumos pesa. O milho brasileiro, com produção crescente e competitiva, se torna ativo estratégico. O país já ampliou sua produção em cerca de 40% na última década, sustentando a expansão da bioenergia.

A cadeia produtiva vai além do combustível. Para cada 1.000 toneladas de milho processadas, são gerados aproximadamente:

  • 425 mil litros de etanol
  • 312 toneladas de DDG, usado na alimentação animal
  • energia elétrica suficiente para abastecer o sistema  

Esse modelo amplia o impacto econômico. Grandes grupos do setor chegam a empregar centenas de trabalhadores diretamente e milhares de forma indireta, além de movimentar cadeias como transporte, pecuária e comércio local.

Mas o avanço não é isento de riscos. A expansão exige infraestrutura robusta. Logística, armazenagem e escoamento passam a ser fatores críticos. A pressão sobre recursos naturais, especialmente água e uso do solo, também entra no radar.

Há ainda um debate mais amplo. Até que ponto a expansão de biocombustíveis compete com a produção de alimentos? E como garantir que o crescimento seja ambientalmente sustentável?

Apesar dos desafios, o movimento é claro. O etanol de milho não é mais uma aposta, é uma realidade em expansão.

Para Mato Grosso do Sul, isso significa mais do que crescimento econômico. Representa a entrada definitiva em uma agenda global, onde energia, clima e segurança alimentar caminham lado a lado.

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