O consumo de energia elétrica voltou a crescer no Brasil nas últimas semanas, impulsionado por uma sequência de dias com temperaturas acima da média em grande parte do país. O aumento do uso de ar-condicionado, ventiladores e equipamentos de refrigeração elevou a carga do sistema, enquanto o Operador Nacional do Sistema Elétrico acompanha com atenção o nível dos reservatórios, especialmente na Região Sul.
A repórter Neli Terra tem mais informações. OUÇA:
Dados do ONS indicam que a demanda por energia vem batendo recordes pontuais neste início de ano, com picos históricos de carga em dias de calor extremo. Em alguns momentos, o consumo instantâneo superou marcas anteriores, refletindo tanto o efeito climático quanto a retomada gradual da atividade econômica. Em termos simples, mais pessoas ligaram mais aparelhos por mais tempo, ao mesmo tempo.
O alerta maior está no Sul do país. A região depende fortemente da geração hidrelétrica e entrou no período mais quente com níveis de armazenamento abaixo da média histórica. Em linguagem direta, há menos água guardada nos reservatórios do que o ideal para enfrentar longos períodos de calor sem pressão adicional sobre o sistema. Por isso, o ONS tem recorrido com mais frequência a usinas termelétricas, que são mais caras e elevam o custo da energia.
Esse cenário ajuda a explicar outro dado que chama atenção. As buscas na internet por termos relacionados ao cálculo do consumo de energia cresceram cerca de três vezes e meia, um salto de aproximadamente 260%, segundo levantamentos de ferramentas de monitoramento digital. Em outras palavras, mais pessoas passaram a tentar entender quanto gastam, como calcular o consumo em quilowatts-hora e de que forma reduzir o valor da conta no fim do mês.
O movimento reflete preocupação prática. Com calor intenso, o ar-condicionado pode representar sozinho quase metade do consumo de uma residência, dependendo da potência do aparelho e do tempo de uso diário. Um equipamento de 1.200 watts ligado por oito horas, por exemplo, pode consumir perto de 300 quilowatts-hora em um mês, o que pesa no orçamento familiar.
Do ponto de vista do sistema elétrico, o crescimento da demanda reforça a importância de planejamento e diversificação da matriz. Nos últimos anos, o Brasil avançou na geração solar e eólica, que ajudam a aliviar o sistema em momentos de pico. Ainda assim, eventos climáticos extremos, como ondas de calor prolongadas, colocam à prova a capacidade de resposta do setor.
Para os próximos meses, a expectativa é de consumo elevado enquanto as temperaturas seguirem acima da média. O ONS afirma que o sistema segue operando com segurança, mas reconhece que o nível dos reservatórios no Sul exige monitoramento constante. Para o consumidor, o recado é claro: entender o próprio consumo e adotar medidas de eficiência energética deixou de ser apenas uma escolha sustentável e virou também uma estratégia para proteger o bolso.
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