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Energia solar dispara em MS e muda a forma de consumir eletricidade

Estado já soma mais de 1,5 GW de potência instalada, atrai bilhões em investimentos e gera milhares de empregos

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A energia solar avança em ritmo acelerado em Mato Grosso do Sul e já transforma a forma como consumidores utilizam eletricidade.  Residências, comércios e propriedades rurais investem em painéis fotovoltaicos para reduzir a conta de luz e ganhar autonomia energética. O crescimento da geração própria coloca o estado entre os destaques nacionais da transição energética.

Hoje, Mato Grosso do Sul já ultrapassa 1,5 gigawatt (GW) de potência instalada em energia solar, resultado da expansão de sistemas em residências, comércios e propriedades rurais.  

Esse crescimento vem acompanhado de forte adesão. O estado conta com mais de 133 mil conexões operacionais de geração solar, distribuídas em todos os municípios.  

Na prática, isso significa que a energia solar já atende cerca de 190 mil consumidores, que passaram a produzir parte ou toda a própria eletricidade.   A chamada geração distribuída, feita no próprio local de consumo, se tornou mais acessível com a queda nos custos dos equipamentos e linhas de financiamento específicas. O modelo permite que o consumidor gere a própria energia e injete o excedente na rede elétrica. Isso reduz a dependência das concessionárias e altera a dinâmica tradicional do setor.

A expansão é recente e acelerada. Em 2023, o estado tinha cerca de 777 megawatts instalados, praticamente dobrando em poucos anos.  

O impacto econômico também é relevante. Desde 2012, a energia solar já atraiu mais de R$ 6,7 bilhões em investimentos em Mato Grosso do Sul, consolidando o setor como um dos motores da economia verde regional.  

A cadeia produtiva gera emprego e renda. O setor já criou mais de 45 mil empregos no estado, entre vagas diretas e indiretas.  

Além disso, a atividade também reforça as finanças públicas. A arrecadação associada ao setor supera R$ 2 bilhões, impulsionada pela expansão dos projetos e da atividade econômica.  

Outro dado relevante é a capilaridade. A tecnologia já está presente em 100% dos municípios do estado, o que mostra a rápida interiorização da geração distribuída.  

O avanço acompanha uma tendência nacional. No Brasil, a energia solar já movimentou mais de R$ 250 bilhões em investimentos acumulados e gerou cerca de 1,6 milhão de empregos desde a introdução da tecnologia.  

No campo, a adoção cresce com rapidez. Produtores rurais utilizam sistemas fotovoltaicos para reduzir custos com irrigação, armazenagem e processamento, aumentando a competitividade do agronegócio.

Apesar do crescimento, o avanço traz desafios. A expansão pressiona a infraestrutura elétrica e exige adaptações no sistema de distribuição. Há ainda discussões sobre regras tarifárias e a divisão dos custos do sistema entre quem gera e quem apenas consome.

Especialistas avaliam que a energia solar deve continuar em expansão nos próximos anos. Mato Grosso do Sul reúne condições favoráveis, como alta incidência solar e grande extensão territorial.

A tendência é de consolidação do modelo, com consumidores cada vez mais ativos no sistema elétrico. O desafio será equilibrar inovação, regulação e sustentabilidade econômica.

Quanto custa e em quanto tempo se paga

O avanço da energia solar em Mato Grosso do Sul é impulsionado, principalmente, pela economia na conta de luz. Apesar do investimento inicial ainda ser considerado alto, o retorno financeiro tem atraído consumidores.

Hoje, um sistema residencial padrão, com capacidade entre 4 kWp e 6 kWp, custa em média entre R$ 18 mil e R$ 30 mil, dependendo da qualidade dos equipamentos e da complexidade da instalação. Esse tipo de sistema é suficiente para atender uma residência com consumo mensal entre 400 e 700 kWh, faixa comum em áreas urbanas.

Na prática, a economia na conta de luz pode chegar a 80% a 95%, já que o consumidor passa a gerar a maior parte da energia que utiliza. Com isso, o tempo de retorno do investimento, conhecido como payback, costuma variar entre 3 e 5 anos em Mato Grosso do Sul. Em regiões com tarifas mais altas, esse prazo pode ser ainda menor.

Outro fator que pesa na decisão é a vida útil do sistema. Painéis solares duram, em média, 25 anos ou mais, o que garante décadas de economia após o retorno do investimento. Além disso, o custo da tecnologia caiu significativamente. Nos últimos 10 anos, o preço dos sistemas fotovoltaicos no Brasil recuou mais de 70%, tornando a solução mais acessível.

Para empresas e produtores rurais, o impacto é ainda maior. Sistemas maiores diluem custos e aceleram o retorno, com payback que pode ficar entre 2 e 4 anos, dependendo do consumo.

Apesar das vantagens, especialistas alertam para mudanças regulatórias. A chamada “taxação do sol”, prevista no marco legal da geração distribuída, introduziu a cobrança gradual pelo uso da rede elétrica. Mesmo assim, o modelo segue economicamente viável. A tendência é que a energia solar continue sendo uma das formas mais eficientes de reduzir custos com eletricidade no país.

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