Nacional - geral

Projeto sobre terras raras avança e coloca Brasil no centro da disputa global

Texto cria política nacional para minerais estratégicos e amplia controle sobre exploração e capital estrangeiro

Compartilhar
Compartilhar

O Senado Federal deve analisar nos próximos dias o texto final do projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no Brasil. A proposta ganhou força em meio à disputa global por minerais usados em baterias, carros elétricos, celulares, chips, equipamentos militares e inteligência artificial.

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados estabelece regras para exploração, processamento e transformação de minerais considerados estratégicos, incluindo as chamadas terras raras.  

O que são terras raras

Apesar do nome, terras raras não são exatamente raras. O grupo reúne 17 elementos químicos encontrados em diferentes regiões do planeta. O problema está na dificuldade e no alto custo de extração e processamento.

Esses minerais são fundamentais para tecnologias modernas. Eles aparecem em baterias, turbinas eólicas, painéis solares, celulares, semicondutores, mísseis e equipamentos de defesa.

Hoje, a China domina grande parte da cadeia global de processamento.

As reservas brasileiras

O Brasil abriga uma das maiores reservas de terras raras do mundo. Alguns levantamentos internacionais colocam o país atrás apenas da China em potencial geológico.  

Mesmo assim, o país ainda exporta principalmente matéria-prima bruta e possui pouca capacidade industrial de processamento. Esse é justamente um dos pontos centrais do projeto.

O que prevê o texto

O PL 2780/2024 cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Entre os principais pontos estão:

  • criação de incentivos fiscais para processamento mineral no Brasil
  • estímulo à industrialização local
  • criação de fundo garantidor de R$ 2 bilhões
  • previsão de até R$ 5 bilhões em créditos fiscais ao setor
  • ampliação do controle estatal sobre operações consideradas estratégicas
  • possibilidade de impor condições para exportação de minerais pouco processados
  • criação de conselho responsável por definir quais minerais entram na lista estratégica  

O texto também prevê análise prévia do governo em casos de mudança de controle acionário, fusões ou entrada de capital estrangeiro em projetos considerados sensíveis.  

Por que o tema ganhou espaço

O assunto ganhou urgência por causa da transição energética e da corrida tecnológica global.

A demanda mundial por minerais estratégicos cresceu fortemente com:

  • expansão dos carros elétricos
  • crescimento da inteligência artificial
  • disputa geopolítica entre China e Estados Unidos
  • ampliação da indústria de defesa
  • produção de baterias e semicondutores

A dependência global da China preocupa governos ocidentais. Diversos países passaram a buscar novos fornecedores e cadeias produtivas mais seguras.

Nesse cenário, o Brasil virou alvo de interesse internacional.

O projeto também ganhou dimensão geopolítica.

A votação ocorreu na véspera de encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.  

Parlamentares passaram a defender mecanismos de “soberania mineral” para evitar que o Brasil repita o modelo histórico de exportar apenas commodities sem agregar valor industrial. E o relator afirmou que o país não pode ser apenas fornecedor de matéria-prima.  

Mineradoras e investidores enxergam oportunidades bilionárias no setor. O projeto foi bem recebido por parte do mercado. Ao mesmo tempo, empresas demonstram preocupação com excesso de burocracia e insegurança regulatória.

O texto prevê possibilidade de revisão de operações consideradas estratégicas e amplia o poder do governo sobre o setor. Mas os especialistas alertam que regras muito rígidas podem afastar investimentos internacionais.

Impactos para o Brasil

A aprovação da lei pode mudar a posição brasileira na cadeia global de tecnologia. O país pode deixar de exportar apenas minério bruto e passar a desenvolver indústria de maior valor agregado.

Isso envolve:

  • geração de empregos industriais
  • aumento de arrecadação
  • desenvolvimento tecnológico
  • atração de fábricas e centros de pesquisa

A discussão também envolve riscos ambientais e sociais. A mineração de terras raras exige grande volume de água e pode gerar resíduos tóxicos.

O Senado ainda pode alterar pontos do texto antes da aprovação final.

De qualquer forma, o tema deve continuar no centro das discussões econômicas e geopolíticas nos próximos anos.

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados
Nacional - geral

Furto de cabos de energia triplica no Brasil e amplia apagões nas cidades

O furto de cabos de energia elétrica disparou nas cidades brasileiras entre...

Nacional - geral

CNH mais barata já gerou economia de R$ 1,8 bilhão para brasileiros

Os brasileiros já economizaram cerca de R$ 1,8 bilhão com a emissão...

Nacional - geral

Brasil envelhece e número de jovens cai

O Brasil passa por uma mudança acelerada na estrutura da população. Dados...