O furto de cabos de energia elétrica disparou nas cidades brasileiras entre 2024 e 2025. Dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica mostram que o volume de cabos furtados passou de cerca de 300 toneladas em 2024 para 975 toneladas em 2025, praticamente o triplo em apenas um ano.
O prejuízo financeiro também aumentou fortemente. As perdas subiram de aproximadamente R$ 50 milhões para R$ 90 milhões no período.
O avanço do crime afeta diretamente o fornecimento de energia, telecomunicações e iluminação pública em grandes centros urbanos.
O Rio de Janeiro aparece entre os estados mais afetados. Dados do Instituto de Segurança Pública apontam crescimento de 99% nos furtos de equipamentos de concessionárias entre 2023 e 2025. Apenas em 2025 foram registrados 5.067 casos no estado.
A concessionária Light S.A. informou que o volume de cabos roubados saltou de 33 toneladas em 2023 para 474 toneladas em 2025. O prejuízo passou de R$ 1,1 milhão para R$ 34,5 milhões.
As regiões mais afetadas incluem capital fluminense, Baixada Fluminense e cidades metropolitanas.
O impacto vai além das perdas financeiras. No Ceará, a Enel Ceará registrou furto de 201 quilômetros de cabos ao longo de 2025. Cerca de 447 mil consumidores ficaram sem eletricidade em decorrência das ocorrências.
A Enel Brasil informou que aproximadamente 170 mil clientes foram afetados por furtos de cabos apenas nos primeiros meses de 2025 em suas áreas de concessão.
São Paulo, Osasco, Santo André e São Bernardo do Campo aparecem entre as cidades paulistas com mais registros.
O principal alvo das quadrilhas é o cobre presente nos cabos elétricos. O metal possui alto valor de revenda e forte demanda no mercado internacional. O avanço da eletrificação global, da indústria de energia renovável e dos carros elétricos aumentou o preço do material.
Especialistas apontam que parte dos cabos furtados acaba em ferros-velhos clandestinos e esquemas ilegais de reciclagem. Além do prejuízo econômico, o furto representa risco grave à população.
A retirada irregular de cabos pode provocar:
- choques elétricos
- incêndios
- interrupção de hospitais e semáforos
- apagões em bairros inteiros
Os próprios criminosos frequentemente sofrem acidentes fatais durante as ações.
As distribuidoras passaram a investir em tecnologia para reduzir os danos.
Entre as medidas adotadas estão:
- instalação de sensores na rede subterrânea
- substituição de cobre por alumínio
- monitoramento remoto
- marcação química dos cabos para rastreamento
As concessionárias também ampliaram cooperação com forças policiais.
Em 2025, o governo federal sancionou legislação que aumentou penas para furto, roubo e receptação de cabos e equipamentos de energia. A pena para furto qualificado passou para até 8 anos de prisão. No caso de roubo, a punição pode chegar a 12 anos.
As autoridades avaliam que o endurecimento ainda não foi suficiente para conter o avanço das quadrilhas.
O furto de cabos se transformou em um problema urbano de grande escala no Brasil. O crescimento acelerado das ocorrências mostra a profissionalização das quadrilhas e o aumento da demanda por metais.
Especialistas afirmam que o combate exige fiscalização mais rígida sobre receptadores e maior integração entre distribuidoras, polícia e órgãos reguladores. Enquanto isso, milhares de brasileiros continuam sofrendo os efeitos de um crime que deixa cidades inteiras no escuro.
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