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O Assunto é Cinema – Revisitando 007 Contra a Chantagem Atômica

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Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h (horário de MS), no Spotify da Educativa MS.

NOTA E CRÍTICA – Daniel Rockenbach

O Assunto é Cinema revisita “007 Contra a Chantagem Atômica”, filme dirigido por Terence Young, lançado em 1965. A trama acompanha o sequestro de duas ogivas nucleares pela Spectre que chantageia o ocidente a pagar pelo resgate o valor de 100 milhões de libras em diamantes para não explodir uma das ogivas nos Estados Unidos ou no Reino Unido. Cabe ao agente James Bond seguir uma pista nas Bahamas que o levará até Emílio Largo, um milionário que na verdade é um operativo da Spectre, o número dois na organização e o responsável pela chantagem. 

O sucesso de público e crítica de “007 Contra Goldfinger” fez com que os produtores Albert Broccoli e Harry Saltzman acelerassem a realização de um novo filme do espião. Guy Hamilton recusou voltar para a direção, o que fez com que um resignado Terence Young voltasse para a tarefa uma terceira e última vez. Ainda que Ian Fleming tenha falecido no ano anterior, sobraram um bom número de romances e contos originais à disposição dos produtores que queriam adaptar “007 a Serviço Secreto de Sua Majestade”, mas acabaram retomando a ideia descartada de roteiro que se tornou a oitava aventura literária de Bond, “007 Contra a Chantagem Atômica”.

O oitavo romance escrito por Fleming teve uma origem bastante conturbada: a trama nasceu a partir do roteiro para um primeiro filme do personagem para os cinemas, em 1961, uma aventura inédita escrita por Fleming em colaboração com Kevin McClory, Jack Whittingham, Ivar Bryce e Ernest Cuneo. A produção acabou não vingando e Fleming aproveitou o roteiro para adaptar o argumento como o oitavo romance de James Bond. Depois que o livro foi lançado como sendo de autoria solitária de Fleming, os demais decidiram processar o autor que acabou fazendo um acordo após a acusação de usar no texto elementos criados por eles para o roteiro.

Quando Albert Broccoli e Harry Saltzman decidiram adaptar o romance, Kevin McClory reabriu o processo que resultou em um novo acordo que garantia a McClory os direitos sobre a trama, contanto que não produzisse nenhum filme em cima do roteiro pelos próximos 12 anos. Como compensação imediata, McClory entrou como produtor do quarto filme da franquia junto com Broccoli e Saltzman. Toda esta história de bastidor é interessante por justamente render uma nova adaptação produzida por McClory, lançada em 1983 e também estrelada por Sean Connery, o inusitado “Nunca Diga Nunca Outra Vez”, filme que atualiza a trama para a década de oitenta.

“007 Contra a Chantagem Atômica” reforça os temas e clichês adotados no filme anterior, aumentando a galhofa em torno das bugigangas que o agente usa em campo, desta vez chegando até a empregar uma mochila a jato na abertura do longa, além do Aston Martin DB5 que volta com todas as suas surpresas. A canção tema cantada por Tom Jones, “Thunderball”,  conta com melodia de John Barry e letras de Don Black e é outra pérola entre os muitos sucessos musicais da franquia, outra balada que anima os exóticos créditos de abertura de Maurice Binder. Vale ainda destacar a extravagância de escalar novamente Shirley Bassey para cantar “Mr. Kiss Kiss, Bang Bang” para os créditos do filme, canção inspirada no apelido do personagem no Japão. No elenco, o italiano Adolfo Celi entrega o insidioso Emilio Largo, um dos vilões mais caricatos da franquia. Já entre as Bond Girls, quem rouba a cena é a assassina Fiona Volpe, interpretada por Luciana Paluzzi. Sua atuação deixa Domino de Claudine Auger eclipsada, mesmo sendo ela a garota do filme.

No aspecto técnico, os designs de Ken Adam mantêm a extravagância dos vilões, agora com um componente complicador em torno das excessivamente longas cenas submarinas. A dificuldade de se filmar as sequências de ação em tanques foram um problema para os produtores que acabaram dando a elas uma importância exagerada, algo que resultou no primeiro filme com mais de duas horas de duração da franquia. Continua sendo um grande episódio da série, só não manteve o alto nível do longa anterior. Ainda assim, o resultado nas bilheterias foi arrebatador a ponto de quebrar os recordes de “007 Contra Goldfinger”.

Sean Connery está no auge como James Bond, mas já começa nos bastidores a deixar clara a insatisfação com a falta de valorização do seu trabalho diante do sucesso da franquia. O caos dos bastidores da gravação do quarto filme e a dificuldade no consenso em torno do romance a se adaptar faz com que os produtores decidam esperar um pouco mais antes de entrar na produção do quinto e inevitável filme, “007 a Serviço Secreto de Sua Majestade”, longa que acabou sendo substituído por “Com 007 Só se Vive Duas Vezes”, lançado em 1967.

“007 Contra a Chantagem Atômica” está disponível para aluguel ou compra nas plataformas digitais.

Nota: 10.

Confira o trailer do filme “007 Contra a Chantagem Atômica” lançado em 1965:

 

Ouça o episódio revisitando “007 Contra a Chantagem Atômica”, entre outras atrações, direto do Spotify da Educativa MS:

 

Foto: Divulgação.

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